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     Patrina Foreman no tinha a menor inteno de se apaixonar por um homem com fobia a compromisso como Cole Westmoreland, e muito menos de dormir com ele. Mas depois de uma tempestade de neve tudo mudou. Apanhados durante trs deliciosas noites, ele no demorou em fazer mudar a opinio de Patrina graas aos seus incrveis dotes de seduo. Mas, o que aconteceria quando chegasse o degelo?




ARDENTE E SELVAGEM
ARDIENTE Y SALVAJE (2008)
Titulo Original: Cole's red-hot pursuit (2008)
Gnero: Contemporneo
Srie: Westmoreland 13
Protagonistas: Cole Westmoreland e Patrina Foreman
  
  
  
  
  
  
  













    - Garanto, Cole, que se no estivesse to ocupado olhando para Patrina Foreman, teria percebido que McKinnon esteve perto de deixar Rick Summers inconsciente por se aproximar de sua irm - disse Durango Westmoreland em voz baixa aproximando-se do seu primo Cole.
    - O que disse? - perguntou Cole afastando o olhar da mulher que estava do outro lado do salo. Esteve observando-a desde que ela chegou quela celebrao em honra da irm dele.
    - Rick Summers. Esteve prestes...
    - No, refiro-me a ela. Como disse que ela se chama?
    - Patrina Foreman - respondeu seu primo sorrindo ao ver o interesse de Cole pela mulher. - os amigos dela chamam-na de Trina.  Trabalha como ginecologista. De fato, foi quem se encarregou de Savannah quando chegou a hora de dar  luz.
    -  casada?
    -  viva. O marido dela, Perry, era o chefe da policia local. Morreu h trs anos com um tiro enquanto perseguia um delinquente que tinha fugido da priso. Trina e ele eram amigos desde crianas. Foi um duro choque para ela.
    Durango ficou em silencio durante alguns minutos enquanto Cole voltava a olhar para a mulher.
    - Se est pensando o que creio que est pensando - comentou Durango, - pode esquecer.  um ranger do Texas. Quando Perry, o marido dela, morreu, Trina jurou a si prpria que no voltaria a ter nada com um agente da lei. Na realidade, para ser sincero, no saiu com ningum desde ento. Alm do seu trabalho, a vida dela parou no dia em que mataram o marido.
    "Que pena,  inacreditvel", pensou Cole.
    A mulher atraiu a sua ateno desde o momento em que entrou no salo. Uma atrao to forte como nunca havia sentido antes. Devia dizer-lhe alguma coisa. No podia deixar passar aquela oportunidade sem aproveit-la, sem tentar. Alm disso, alguns olhares fugazes fizeram-no perceber que com ela aconteceu o mesmo.
    - No tenho nada a perder - disse Cole - aqui vou eu. Deseje-me sorte.
    - Boa sorte, mas depois no diga que no o avisei.
    Cole olhou para o primo com olhos travessos e piscou-lhe um olho.
    - Descanse.




   Onze meses depois
    
    
    Cole despertou desorientado.
    Onde estava?
    Estava estendido numa cama desconhecida, numa casa que no era a dele nem a de sua irm. Nunca a tinha visto antes.
    O que tinha acontecido?
    Tentou levantar-se, mas uma dor aguda, insuportvel, percorreu todo o seu corpo, imobilizando-o.
    Tentou tranquilizar-se e pensar na ltima coisa que se lembrava.
    Chegou ao aeroporto de Bozeman em algum momento. Queria fazer uma surpresa  sua irm e a McKinnon, que viviam fora da cidade. Eles no o esperavam at trs semanas seguintes.
    Descera do avio, apanhou a sua mala e alugou um automvel no aeroporto. O empregado avisara-o sobre o mau tempo que fazia naqueles dias em toda a regio, sobre uma terrvel tempestade primaveril que j havia isolado vrias povoaes prximas, mas ele no fizera caso, acreditando que chegaria a casa de sua irm antes da tempestade cair sobre a cidade.
    Mas enganara-se.
    Mal entrou na auto-estrada, de repente, surgiu uma enorme frente fria e comeou a lanar camadas de neve contra os vidros do automvel.
    Cole comeou a lembrar-se da sensao de pnico que sentiu ao ficar sem visibilidade, o desespero para manter o controle do carro...
    E acabava tudo ai.
    No lembrava de mais nada.
    O que teria acontecido depois?
    Um rudo proveniente de um lugar indefinido afastou-o de seus pensamentos. Lutando contra a dor, virou a cabea naquela direo e conseguiu distinguir o contorno de uma mulher entrando no quarto onde ele estava.
    No era a sua irm, disso tinha a certeza.
    Quem seria?
    A mulher entrou e colocou uma cesta de roupa sobre uma mesa que estava prxima a uma lareira acesa.
    Cole tentou observar seu rosto sem que ela percebesse.
    Era atraente, apesar do estado em que estava, conseguia perceber perfeitamente. E alm disso, j a tinha visto antes. Antes.
    O que lhe lembrava aquela mulher?
    Era alta, provavelmente chegava ao metro e oitenta. Tinha o cabelo comprido e escuro apanhado num rabo de cavalo. As linhas do rosto eram quase perfeitas, faces proeminentes, nariz perfeito e os lbios carnudos impossveis de esquecer.
    Era uma criatura belssima.
    De onde a conhecia?
    Onde a vira?
    Patrina Foreman! - exclamou para si mesmo.
    Conheceu-a no ano anterior, na festa que a sua madrasta Abby, e a me de McKinnon, Morning Star, organizaram em honra de Casey e McKinnon para festejar a sua unio, que seria realizada em Novembro. Cole e o seu irmo, Clint, apanharam um avio do Texas para no a perder.
    Agora que se lembrava, Patrina causou-lhe um impacto inesquecvel. Ficara enfeitiado ao v-la, aprisionado na atrao sexual mais intensa que alguma vez sentira. Era uma mulher perfeita, com um corpo perfeito, incluindo a sua generosa sensualidade, coisa que apreciava nas mulheres.
    Naquela festa, o seu primo Durango disse-lhe que tinha vinte e oito anos, o que queria dizer que desde ento passara tempo suficiente para que Patrina tivesse feito os vinte e nove.  Tambm lhe contara que trabalhava como ginecologista, que fora casada com o chefe da policia local e que h trs anos tinha ficado viva.
    Depois, em Novembro, tinha voltado a v-la na celebrao do casamento. Infelizmente, ficara apenas o tempo suficiente, no tivera a mnima oportunidade de se apresentar e tentar falar com ela. Mas a atrao sexual que experimentara da primeira vez tinha voltado a aparecer.
    Observando aquela mulher retirando a roupa do cesto e dobrando-a com naturalidade, Cole perguntou-se como chegou at ali, at a casa de Patrina Foreman.
    Movido pela excitao, Cole fez um novo esforo para se levantar, mas uma dor ainda mais aguda do que a anterior o impediu.
    Depois, tudo se enevoou e perdeu a conscincia novamente.
    Patrina suspirou preocupada ao dobrar a ltima pea de roupa que tinha levado no cesto. Se aquele homem no despertasse depressa, ia ter que o fazer ela e teria que verificar os seus sinais vitais.
    Foi uma incrvel coincidncia que estivesse conduzindo por Craven Road quando aquele desconhecido perdeu o controle do seu veiculo. Detendo o seu carro, aproximou-se e, ao ver os ferimentos que tinha, reuniu todas as suas foras para retir-lo do carro dele e transferi-lo para o seu. Custou-lhe muito, j que o homem estava inconsciente e pesava muito, mas no fim conseguiu.
    Depois, ao chegar em casa, foi uma odissia tir-lo de novo, abrir a porta, entrar com ele e lev-lo para a cama.
    Mas o pior foi tirar-lhe a roupa.
    Ficou to fascinada ao ver o seu corpo, os ombros largos e retos como se fossem forjados numa forja1, os seus quadris, as pernas...
    Embora estivesse inconsciente, quase se sentiu culpada por ter ficado observando-o.
    Reconhecera-o no ato, mal abrira a porta do seu automvel. Cole Westmoreland, ranger do Texas, era filho de Corey Westmoreland, irmo de Clint, de Casey, e primo de Durango Westmoreland.
    Patrina olhou pela janela e ficou observando a neve que caia sem cessar. As linhas telefnicas estavam avariadas e as estradas, cortadas. A rdio tinha dito que a tempestade, uma daquelas estranhas tempestades primaveris que se abatiam sobre Bozeman, Montana, a cada ms de Abril, persistiria por mais dois dias. 
    Estavam completamente isolados.
    No havia nenhum problema em termos de trabalho, tinha pedido precisamente aquela semana de ferias. O seu plano tinha sido pass-la tranquilamente em casa.
    No contava com aquele convidado inesperado.
    De repente, por alguma mudana no ar ou no pesado silncio do quarto, teve a sensao de que ele estava despertando.
    - gua...
    Durante interminveis segundos, Patrina olhou para ele sem saber o que fazer, aprisionada no seu olhar, tal como tinha acontecido um ano antes naquela festa. Depois, como se tivesse acordado de um longo sonho, Patrina avanou, agarrou um copo cheio de gua e encaminhou-se para a cama onde jazia o paciente.
    Tentando ignorar o olhar dele e de como a fazia sentir, passou-lhe a mo pelo pescoo para levantar-lhe ligeiramente a cabea, a fim de poder beber um pouco do liquido.
    No tinha febre, disso tinha a certeza, mas... Estava quente... Muito quente...
    O que estava acontecendo?
    Aquele era o primeiro homem pelo qual se sentia atrada desde a morte de Perry. Sara de vez em quando com algum homem, mas nunca passou da. Nenhum outro a interessou minimamente, nenhum a fez esquecer a recordao do seu marido. Mas Cole Westmoreland conseguira-o da primeira vez, sem falar, apenas com os olhos. Estava voltando a faz-lo, a queim-la com o olhar, provocando-lhe um calor insuportvel dentro do seu corpo.
    - Quer mais? - perguntou-lhe ao ver que havia bebido tudo.
    - No, obrigado - respondeu ele olhando para ela.
    Tentando dominar-se, Patrina voltou a apoiar suavemente a cabea de Cole no travesseiro.
    - Porque estou aqui? -perguntou ele.
    - Voc no lembra?
    - No. - respondeu confuso.
    - Seu carro saiu da estrada e voc sofreu um acidente terrvel.
    - Como cheguei at aqui?
    - Teve a sorte de eu ir passando por ali naquele momento. Suponho que ia para casa da sua irm Casey.
    - Fiquei inconsciente?
    - Sim, bateu a cabea com muita fora. De algum modo, ainda no sei muito bem como, consegui coloc-lo no meu carro e traz-lo para c - disse Patrina. - depois, tirei a sua roupa e coloquei voc na cama - acrescentou sorrindo.
    - H quanto tempo estou aqui?
    - H cinco horas. Dormiu o tempo todo. Estava perto de despert-lo. Quando algum bate com a cabea, no  bom que durma tanto tempo.
    Cole sabia disso, j que na sua famlia havia dois mdicos, a sua prima Delaney e a mulher do seu primo Thorn, Tara, mas assentiu como se fosse a primeira vez que ouvia aquilo.
    - Est com fome?
    - No, mas obrigado pela preocupao. - respondeu olhando ao seu redor.
    - No h luz. As coisas que h aqui funcionam com um pequeno gerador que tenho, mas no h linha telefnica. No h maneira de dize a Casey ou ao seu pai que est aqui e que no te aconteceu nada.
    - Obrigado por pensar nisso, mas no se preocupe. Ningum sabia que eu vinha hoje. Esperam-me dentro de trs semanas.
    Casey vivia a poucos quilmetros de sua casa, tal como Durango e a sua mulher, Savannah. Patrina assistira ao parto dela em Dezembro do ano anterior, uma menina linda a quem tinham chamado Sarah, pela me de Durango. O pai de Cole, Corey, tambm vivia por ali perto, numa colina escarpada que todos conheciam como a montanha de Corey. No se via muito ele e a sua mulher, apenas quando desciam  cidade para ver seus amigos, como Morning Star e Martin Quinn, os pais de McKinnon, ou a famlia.
    - Mudei de opinio.
    - Sobre o qu? - perguntou Patrina olhando-o nos olhos.
    - Tenho fome.
    - Perfeito. Vou fazer um pouco de carne.
    - Eu vou - disse Cole.
    No suportava a idia de que algum o visse como um invlido, e muito menos ela.
    -  melhor no se levantar. Observei voc e creio que no partiu nada, mas devia descansar.
    Estivera observando-o? Teria sentido algo mais alm do interesse por ver se ele tinha partido alguma coisa?
    - J sabe que sou mdica - disse ela como se lhe tivesse lido o pensamento.
    -  ginecologista, no ? - perguntou Cole sorrindo.
    - Sim, mas no quer dizer que no possa tratar de voc - respondeu Patrina levantando-se para ir fazer a comida.
    -  bom saber. Vou lembrar-me disso. - disse ele sem conseguir evitar.
    - Lembrar-se do qu? - perguntou ela virando-se para ele.
    - Que voc pode tratar de mim.
    Patrina olhou para ele fixamente e Cole no soube como interpret-la.
    
    Furiosa consigo mesma por no saber responder a Cole como ele merecia, Patrina entrou na cozinha para preparar qualquer coisa para o seu convidado imprevisto.
    Enquanto fritava um pouco de carne numa frigideira tentava recordar a ltima vez que um homem passou a noite em sua casa. Decididamente, pensou, ningum o fez desde que o seu irmo Dale veio de Phoenix no ano anterior para assistir ao casamento de McKinnon.
    Ela, o seu irmo Dale e o seu falecido marido Perry, cresceram juntos em Bozeman. Mais do que uma vez, depois da morte de Perry, Dale recordara-lhe as palavras que o seu marido dizia sobre o desejo de que Patrina tivesse uma vida plena no caso de lhe acontecer alguma coisa. Mas no era fcil faz-lo. Nada fcil. Todas as noites, durante aqueles trs anos de ausncia, Patrina deitava-se sentido a falta dele, sonhando com ele.
    Patrina colocou numa bandeja o prato de carne que preparara, uma sanduche de peru e uma fatia de torta de chocolate e levou-a ao quarto. Ao entrar, viu que a cama estava vazia. No se surpreendeu, j que desde o primeiro momento reparou que Cole Westmoreland era teimoso, mas aquilo s podia-lhe causar complicaes. A ltima coisa que precisava era que o seu convidado voltasse a cair por sua teimosia. Embora ele insistisse, ainda no estava recuperado.
    Quando o rudo da gua do chuveiro batendo contra o cho de mrmore chegou aos ouvidos dela, Patrina estremeceu. Imaginou o convidado nu, com a gua percorrendo o seu corpo e as mos quentes dele lavando cada canto secreto do seu peito.
    O que estava acontecendo com ela?
    Por que no conseguia deixar de pensar naquelas coisas?
    Por que o olhar daquele homem tinha lhe provocado um desassossego to grande desde a primeira vez que cruzou com ele no ano anterior?
    Devia ter cuidado com ele. Se deixasse levar, Cole Westmoreland seria capaz de virar de pernas para o ar a sua pacfica e tranquila existncia.
    Devia impedi-lo.
    Alm disso, era um ranger, um agente da lei, e ela prometera a si mesma no voltar a ter nada com um agente da lei.
    - Pensei que terminaria antes que regressasse com a refeio.
    Patrina olhou para a porta do banheiro e viu Cole de p, completamente nu exceto pela pequena toalha presa ao redor da sua cintura. Que espetculo. Por que tinha de ser to atraente? Por que no conseguia pensar noutra coisa seno em percorrer aquele peito cheio de msculos com as suas mos?
    - Isso cheira muito bem.
    - J que est de p - disse Patrina sentido -se envergonhada pela indiscrio dos seus pensamentos, - pode sentar-se  mesa para comer. Embora voc acredite que j est bem, no est. As dores aparecero rapidamente. Na bandeja h um par de comprimidos contra as dores.
    - Voc no vai comer?
    "Comer? O que vou fazer a seguir  sair daqui antes de cometer uma loucura, antes de me atirar nos seus braos e confirmar se esse corpo escultural que tem  real ou no", pensou Patrina.
    - No, tenho algumas coisas para fazer na cozinha. Sente-se e aprecie a comida. Espero que goste - disse ela ao sair do quarto.
    - Patrina?
    - Sim? - disse ela da porta.
    - Obrigado por tudo. Alm de me ajudar, tirou a minha mala do carro e trouxe-a para c. No sei como agradecer. Se no fosse voc, agora no teria o que vestir.
    Patrina ficou mal disposta s de pensar nisso.
    - Foi um prazer - respondeu antes de regressar apressadamente  cozinha com as faces vermelhas como um tomate.
    "Quando se ruboriza, fica linda", pensou Cole enquanto vestia uma cala jeans e uma camisa que retirou de sua mala.
    Foi at a janela e observou os flocos de neve caindo com uma ferocidade incomum. No conseguia sair dali. Teria que passar a noite com ela, no havia outra soluo. Ele no se importava, o seu trabalho como ranger obrigara-o a passar imensas noites em casas de desconhecidos refugiando-se das intempries.
    Mas aqueles dias j pertenciam ao passado. O seu irmo Clint foi o primeiro a abandonar a profisso no ano anterior. Cole seguiu os seus passos um ms depois. Com o dinheiro que conseguiu vendendo a Clint a sua parte do rancho que o tio de ambos lhes deixou, Cole realizara alguns investimentos bem sucedidos com a ajuda do seu primo Spencer, o especialista financeiro da famlia. Desse modo, Cole, com apenas trinta e dois anos, abandonara a profisso de ranger para se transformar num homem muito rico.
    Naqueles dias, estava envolvido em vrios negcios relacionados com a criao de cavalos com que o seu primo Durango e o seu cunhado McKinnon trabalhavam j h vrios anos. O negcio demonstrou ser to lucrativo que tanto ele como o irmo Clint decidiram entrar como scios. No entanto, no deixava de pesquisar qualquer alternativa. Embora no fosse um problema misturar o trabalho com os assuntos de famlia, se pudesse escolher, preferia fazer negcios por sua prpria conta.
    Uma das possibilidades que descobriu foi um negcio de txis areos, com helicpteros para as pessoas que viviam em locais montanhosos e mal comunicados. Alm disso, tinha conversado em mais de uma ocasio com o seu primo Quade, que acabara de sair do servio secreto com o projeto de criar uma companhia de segurana. Clint, apesar de estar casado e de j estar muito ocupado com a criao de cavalos, tambm mostrou interesse.
    Cole sorriu ao pensar no seu irmo, na boa parelha que fazia com Alyssa, uma mulher feita  medida dele e que o fazia feliz. Ele, por sua vez, no estava preparado para o casamento. Preferia continuar solteiro e apreciar a sua liberdade. Uma liberdade que tinha tornado-se agradvel desde que deixara o seu trabalho de ranger e comeara a fazer negcios por sua prpria iniciativa.
    E ali estava ele, mimado por uma mulher, a doutora Foreman, com a qual sentia uma atrao instintiva incapaz de controlar. O contato da mo dela no seu pescoo tinha-o excitado, tinha-o feito sentir a necessidade de se deitar junto a ela na cama, de sentir o seu calor no corpo.
    Alm disso, ele tinha a certeza de que acontecia o mesmo com ela. Podia sentir na forma em que Patrina respirava quando estava perto dele, na forma como olhava para ele, como observara o seu corpo ao sair da ducha, como tremiam os lbios ao falar com ele.
    No entanto, tambm percebeu o esforo dela por controlar aquela atrao. Certamente teria lembrado da promessa que fez a si prpria de no voltar a ter nada com um agente da lei.
    "Terei que ser eu a faz-la mudar de opinio", pensou consigo mesmo levado pelo desejo enquanto se sentava  mesa que ela preparou. Comeou a comer quase com desespero, devorando a carne e o enorme sanduche que ela havia feito para ele, um sanduche que era quase uma expresso do desejo dela. Depois, j saciado, saboreou a fatia de torta de chocolate e o caf.
    Cole apoiou as costas na cadeira satisfeito. Foi uma refeio deliciosa. Se tivesse podido partilh-la com ela, teria sido perfeita. Estava habituado a comer sozinho diariamente, mas era-lhe muito difcil ao ser consciente da mulher que tinha apenas a alguns metros.
    - Voc quer mais alguma coisa?
    Cole olhou para Patrina parada diante da porta do quarto com os olhos iluminados pelo desejo. Tendo em conta a atrao que sentia por ela e o fato de no se deitar com uma mulher h mais de um ano, decidiu responder a pergunta que ela fez com a maior sinceridade.
    - J disse que sim, quero mais alguma coisa.






    Com o olhar de Cole fixo nela, Patrina sentiu-se subitamente aprisionada em um lugar inundada de desejo por todos os lados, um lugar que parecia no ter ar suficiente para respirar.
    Desde a morte de Perry, muitos homens tentaram sair com ela. Nenhum conseguiu. Retirara-se para uma tranquila existncia rodeada por suas memrias e por suas pequenas tarefas dirias. Mas nenhum deles a olhou como estava fazendo aquele homem.
    - O que mais voc quer? - perguntou Patrina aproximando-se da mesa onde ele estava sentado.
    Cole no respondeu e Patrina sentiu-se aliviada. Viu nos olhos dele que estava lutando consigo mesmo para encontrar a resposta adequada... Passara tempo suficiente com o seu marido para conhecer os homens, para saber a influncia que a testosterona tinha neles, o furioso entusiasmo da paixo para saber como se proteger deles.
    - Preciso de companhia.
    - Companhia? - repetiu Patrina olhando para ele e tentando compreender.
    - Sim, companhia, no gosto de comer sozinho.
    Patrina percebeu que ele havia se controlado, que no era aquilo que tinha pensado responder, mas felicitou-se por Cole ter sido capaz de se conter. No final das contas, no sabiam nada um do outro. A nica certeza era a atrao sexual que existia entre os dois, e no estava disposta a mudar toda a sua vida por uma relao que no teria futuro, para no falar de que aquele homem era um agente da lei.
    - J lhe disse porque no pude comer com voc, tinha coisas para fazer na cozinha - disse Patrina.
    - Gostaria de conhec-la melhor.
    - Por que? - perguntou Patrina sentido como se ele estivesse brincando com ela, como se estivesse derrubando todas as suas defesas, uma a uma.
    - Porque parece que no vamos ter outro remdio seno passar aqui algum tempo, os dois juntos - disse ele apontando para a janela com a cabea.
    Como efeito, a neve continuava caindo ininterruptamente. Segundo a rdio, a tempestade no ia cessar antes de dois dias. Gostasse ou no, estava aprisionada na sua casa com ele.
    - Seria melhor que fosse para a cama e descansasse, ainda no ests recuperado - disse Patrina tentado escapar. - eu levo isto para a cozinha - acrescentou referindo-se  bandeja da comida.
    - Prometa-me que volta? - pediu ele observando-a com intensidade.
    Patrina estava determinada a resistir a todo custo. Foi ento que se lembrou dos comprimidos. Olhou para a bandeja e viu que Cole os tomou. Em poucos minutos sentir-se-ia muito cansado e no teria foras para continuar a discutir.
    - Prometo.
    
    Quinze minutos depois, Patrina regressou ao quarto acreditando que Cole teria adormecido, mas a sua surpresa foi monumental ao ver que estava acordado, deitado na cama e olhando para o teto.
    - Comeava a duvidar que viesse.
    Patrina pegou uma cadeira, aproximou-a da cama e sentou-se junto a ele tendo o mximo cuidado para que a longa saia que usava no se enrugasse nem se abrisse.
    - Estava ouvindo o rdio. Queria ouvir a meteorologia.
    - E o que disseram?
    - Disseram que a tempestade s passar dentro de dois dias - respondeu ela.
    - No se sente sozinha vivendo num lugar como este?
    - No tenho tempo para isso - respondeu ela. - normalmente durmo na cidade para poder estar perto dos meus pacientes. Esta semana  uma exceo, estou de frias.
    - E o que acontece se um beb decide surpreender os pais e nascer antes do tempo?
    - J aconteceram mais vezes, mas no h problema. Se estiver incomunicvel, h mais mdicos nos arredores.
    - Voc trouxe ao mundo o filho de Durango e Savannah.
    - Sim - Patrina sorriu. - nunca tinha visto Durango comportar-se como naquela noite.
    - O que quer dizer?
    - Conheo Durango h anos. Ele, os irmos e os primos, costumavam vir aqui visitar o seu pai, inclusive antes de decidir vir estudar na Universidade de Montana ao acabar o colgio. Nunca o tinha visto demonstrar o seu amor pela mulher e pelo filho deles como naquela noite.
    Cole concordou recordando a historia. Clint, Casey e ele cresceram acreditando que o pai tinha morrido num acidente de rodeio. Perto de sua morte, no entanto, a me confessara-lhes a verdade. Um dia depois do funeral, Clint e ele contrataram um detetive privado para localizar o pai. Casey, por sua vez, no recebeu bem a noticia, incapaz de superar a decepo provocada pela mentira que a me lhes contara por toda a vida.
    Felizmente, Casey, Corey e o pai dos trs acabaram por se dar lindamente. De fato, Cole realizara aquela viagem a Bozeman para assistir  festa de aniversrio que Casey e a esposa do seu pai, Abby, estavam preparando para Corey.
    - Voc sai com algum, Patrina? - Perguntou Cole.
    - Por que quer saber? - perguntou Patrina nervosa por sua vez.
    - Por curiosidade.
    - No.
    - Gostaria de sair? - perguntou Cole novamente decidindo ir ainda mais longe.
    Dependendo da sua resposta, teria que agir de uma maneira ou de outra. Um "sim" tornaria as coisas mais fceis. Um "no", por sua vez, exigiria uma estratgia mais persistente. Mas, respondesse o que respondesse, Cole estava decidido a consegui-la.
    - Leia os meus lbios, Cole Westmoreland - disse Patrina inclinando-se sobre ele e fazendo com que o decote deixasse entrever o comeo dos seus seios. - no quero sair com ningum.
    Ler os lbios dela? Ele no queria ler seus lbios. Queria beij-los.
    Cole olhou para ela nos olhos. Queria dizer-lhe que queria estar com ela, que morria por toc-la, por acarici-la, que estava preparado para tudo. No entanto, o olhar dela demonstrava uma determinao igualmente forte em no deixar que isso acontecesse. Aquilo no ia ser nada fcil.
    - E se eu dissesse que gostaria de sair com voc?
    Os olhos de Patrina brilharam com uma mistura de dio, fogo e desejo, mas Cole no se importou. Gostava das mulheres que se faziam de rogadas, das mulheres difceis de conquistar. As ltimas duas mulheres com quem esteve mostraram-se to entregues, to dispostas a fazer tudo o que ele quisesse que, de alguma maneira, havia perdido o interesse.
    - Respondi que est perdendo o seu tempo. Olhe bem para mim, Cole. Pareo uma mulher fcil de convencer? Dou a impresso de ser uma daquelas pessoas que se deixam levar pela paixo?
    Cole esteve quase a responder que sim, mas preferiu no o fazer.
    - Onde voc quer chegar? - perguntou ele.
    - Conheo homens como voc - disse ela pensando no seu irmo Dale, que sempre foi um mulherengo empedernido. - Esta atrao que h entre ns  temporal, desaparecer rapidamente, no significa nada. Para voc,  apenas uma forma de passar o tempo, faz parte de sua natureza ir conquistando mulheres por aqui e ali, deitar com elas e esquec-las na manh seguinte. No significam nada, apenas amores de um dia. No quero ser o amor de um dia de ningum.
    Cole tentava prestar ateno ao que Patrina estava dizendo, mas a viso dos seios dela crescendo com cada palavra que dizia, absorvera-o por completo.
    - Mulheres como eu so como uma diverso para voc, no ?
    - Desculpe?
    - Voc me ouviu. Os homens como voc, fortes e atraentes, esto habituados a estar com mulheres que estejam  sua altura. O que  que pensa? Acha que pode vir aqui, saborear as belezas locais, e voltar para o Texas como se nada tivesse acontecido?
    De certo modo, Cole reconheceu para si mesmo que em parte, Patrina tinha razo. Viajara at ali desejando arranjar uma mulher com a qual pudesse se divertir durante alguns dias. Encontr-la foi como um sonho, mas ainda persistia o seu desejo de algo efmero, algo como saciar mais de um ano de abstinncia.
    No entanto, o que ela tinha dito acerca dos seus gostos, no era totalmente verdade. Gostava de mulheres, de todos os tipos, cores, tamanhos e origens. Todas, sem exceo. Era solteiro, no estava comprometido com ningum. Apenas queria apreciar a vida com mulheres que tambm no quisessem se comprometer, apenas ter um pouco de diverso.
    Patrina, aparentemente, no o via assim. No estava disposta a ser uma aventura de uma noite. Contudo, aquilo a tornava ainda mais atraente, conquist-la seria um desafio interessante, e ele era bom com as mulheres.
    Tambm era bom em ler o rosto das pessoas, e o que o rosto dela transmitia era uma enorme frustrao por no libertar a excitao sexual que a preenchia por dentro; qure ela prpria percebesse aquilo ou no, precisava deixar sair o calor que tinha guardado dentro dela. Alm disso, ele tinha certeza de que ela no dormiu com ningum desde a morte do seu marido.
    - Fiz-me entender? - perguntou Patrina, olhando para ele.
    - Perfeitamente. Agora gostaria de faz-lo eu.
    - Como queira - disse ela ctica; - v em frente.
    Cole afastou as mantas e levantou-se. Nervosa, Patrina levantou-se da cadeira e retrocedeu assustada, tentando no olhar para o corpo nu dele, tapado unicamente pela cueca que vestia.
    - Tenha calma, Patrina, no gosto de obrigar as mulheres a fazer algo que no queiram. Mas o que sou capaz de sentir  o desejo de uma mulher a quilmetros de distncia. E, por mais que voc disfarce e negue, voc quer. No sei se percebe ou no, mas voc quer. Mais cedo ou mais tarde, vai ter que reconhecer.
    - Uau! Acredita que sou uma espcie de viva depravada sedenta de sexo, no ?
    - No, no acredito - respondeu Cole com um sorriso irnico. - Mas antes disto tudo acabar, farei com que seja uma viva feliz e alegre. Quando olho para voc, vejo uma mulher atraente e desejvel, uma mulher que est negando a si prpria os prazeres da vida h muito tempo. Talvez pense que estar com outro homem seria trair o seu falecido marido, ou que tenha medo de se deixar levar, no sei. O que posso garantir  que no serei eu a dar o primeiro passo. No serei eu que vou pedir para dormirmos juntos. Ser voc.
    - Eu? Antes disso o inferno ir congelar.
    - Hum... Se olhar pela janela, ver que no falta muito para isso - replicou Cole assinalando a tempestade de neve que batia contra as janelas.
    
    Patrina respirou profundamente, como se tentasse afogar no ar a asfixiante frustrao que lhe provocava o fato de no ser capaz de lidar com aquele homem.
    De onde tirou a idia de que ela estaria disposta a entrar no seu jogo? Foi hospitaleira salvando-o de uma estrada onde teria encontrado uma morte certa se no fosse por ela, levara-o para sua casa e cuidara dele. Isso era tudo. E embora ela admitisse a forte atrao que havia entre ambos, em nenhum momento tinha-lhe passado pela cabea p-la em pratica. No entanto, Cole, um homem habituado a ter aos seus ps qualquer mulher, parecia ter interpretado tudo de uma forma errada. Pensou que ela se atiraria em seus braos, que se abandonaria  paixo para que ele transformasse toda a sua vida convertendo-a numa viva alegre. Era completamente absurdo. Alm disso, mesmo que ela decidisse satisfazer suas necessidades sexuais com um homem, ele, um ranger do Texas, seria o ltimo da lista.
    - No tem nada a dizer?- perguntou Cole.
    - O que espera que eu diga? - perguntou ela olhando para ele. - talvez voc esteja tratando as mulheres desta forma. Mas comigo no. Conhecemo-nos o ano passado, trocamos meia-dzia de olhares, e foi tudo. E agora, depois da generosidade que demonstrei trazendo-o para minha casa e cuidando de ti, depois de oito horas aqui, diz que quer dormir comigo. Essa  a sua forma de agradecer tudo o que fiz por voc?
    Cole franziu a testa. Se ela pensava que conseguiria mudar de assunto para faz-lo sentir-se culpado, estava muito enganada.
    Era tudo muito mais simples. Ele era um homem e ela uma mulher. Entre os dois existia uma atrao evidente. Ele queria dormir com ela e, embora ela no quisesse admitir, ela tambm queria. Podia ter cometido um erro ao ser to direto, mas no era nada fcil ter diante de si uma mulher to bonita como ela a devor-lo com os olhos a cada instante. A nica coisa que queria era que Patrina soubesse que ele estava mais do que disposto a satisfaz-la no momento em que ela decidisse dar o primeiro passo.
    - Como j disse, Patrina, nunca obriguei uma mulher a fazer algo que no quisesse, e tambm no vou fazer isso com voc. Acima de tudo, respeito-a como pessoa. Mas esta atrao que sentimos um pelo outro no tem nada a ver com o respeito. Tem haver com as emoes, com o desejo. O nico problema  que, aparentemente, voc decidiu h muito tempo afastar-se do mundo e negar a si prpria qualquer prazer. E no entendo. No entendo como  que uma mulher to bonita como voc  capaz de fazer isso. Acorde! J  hora de voltar  vida. Eu estou aqui. Voc est aqui. Vamos aproveitar.
    - Voc tem um descaramento!
    - Eu? Por lembr-la que  uma mulher bonita? Por dizer a verdade? Olhe bem para mim, Patrina. Sou um homem, e no me sinto culpado por me sentir atrado por voc.
    Indignada, Patrina aproximou-se dele para lhe responder, para lhe dizer o mais francamente possvel o que pensava dele. De repente, sem dar por isso, Cole atraiu-a para ele, pousando os seus lbios nos dela.
    O instinto disse a Patrina que se afastasse, que o empurrasse para poder sair dali, mas a sensao dos lbios dele, a delicadeza com que a lngua dele estava percorrendo a sua boca, deteve-a.
    A indignao comeou a recuar, ocupando no seu lugar uma curiosidade irresistvel, a necessidade de saber por que Cole era capaz de excit-la como nenhum outro homem tinha feito. E, como que movida por uma fora invisvel, as suas mos comearam a agir por conta prpria, rodeando o pescoo dele, acariciando o seu cabelo.
    Enquanto ele percorria as costas dela com as pontas dos dedos, Patrina comeou a sentir como todo o seu corpo se aquecia, j entregue aos lbios de Cole, envolvida numa comovente nuvem provocada pela forma como ele a beijava, criando violentas ondas por todo o seu corpo.
    Ento, percebeu que estava completamente rendida a Cole, que no era s ele que a estava beijando. Ela prpria estava devorando-o, desesperada, como se tivesse passado cem anos sozinha no meio do deserto. Queria sabore-lo, toc-lo, experimentar cada centmetro do corpo dele e deixar-se elevar sem pensar em mais nada.
    De repente, ele separou-se dela perturbado, como se acabasse de despertar numa estranha dimenso.
    Patrina aproveitou o momento para colocar distncia entre ambos.
    Cole inspirou por alguns segundos, como se o beijo lhe tivesse esvaziado os pulmes. Estava atnito, e tudo por um simples beijo. Aquela era a prova de que ele tinha razo. Tinha que lhe dizer. Contudo, quando estava prestes a abrir a boca, ela pediu-lhe que no falasse colocando um dedo sobre os lbios dele.
    - No diga nada - disse ela suavemente. - Foi apenas um beijo, no significou nada.
    - Pense o que quiser - disse ele exausto, - mas o que acabou de acontecer demonstra que tenho razo - acrescentou deitando-se na cama. - alm disso, sabe to bem quanto eu, que j no sente o mesmo de antes, que deu um pequeno passo para sair desse buraco negro no qual esteve metida durante tanto tempo. Eu te ajudarei a sair para a luz.
    Sentindo o olhar furioso de Patrina sobre ele, Cole fechou os olhos para saborear o sabor dela nos lbios e ouvir as batidas do seu corao, que ainda batia aceleradamente.
    E tudo aquilo foi provocado por um simples beijo.
    Apenas um beijo.
    
    




    - Bom dia.
    De p junto ao balco da cozinha, Patrina deixou o que estava fazendo para arranjar foras antes de se virar e devolver-lhe a saudao.
    Acordou no meio da noite, horrorizada ao perceber que adormeceu numa cadeira junto da cama dele. Sara do quarto sem fazer barulho, tomara uma ducha e metera-se na cama com a cabea zonza, incapaz de dormir sabendo que ele estava no quarto ao lado. Levantara-se duas vezes para entrar no quarto de Cole e confirmar se ele estava bem.
    Depois adormeceu, no sem antes passar um bom tempo recordando o dia em que o havia conhecido. Assim que o viu na festa de Casey um ano antes, algo nele a encantou de forma fulminante. Foi instantneo, arrasador e repentino.
    Passou o resto da noite tentando evit-lo, mas foi intil. Ele acabou por se aproximar dela e apresentou-se. At ali tinha ouvido falar dos trs filhos de Corey e at tinha conhecido Casey. Mas nunca havia se encontrado cara a cara com um dos seus irmos, Cole e Clint, to parecidos que algumas pessoas at os confundiam.
    No entanto, ela foi capaz de distingui-los desde o principio. Cole tinha alguma coisa diferente. As feies do seu rosto, a forma dos seus lbios, os olhos escuros... No tinha certeza absoluta, mas alguma coisa era diferente nele em relao aos outros.
    Alm disso, algo na forma dele se mover e de olhar avisara-a da verdadeira natureza daquele homem, um mulherengo habituado a despir as mulheres com os olhos.
    Voltara-o a ver seis meses depois, no casamento de Casey, e teve a mesma sensao assim que o viu. Contudo, naquela ocasio, consciente da intensa atrao que ele provocava nela e com medo de que pudesse aproveitar algum momento de debilidade para se aproximar, Patrina abandonou a igreja um minuto depois de ter terminado a cerimnia e de ter felicitado os noivos.
    E seis meses depois, ali estava ele, em sua casa, a alguns metros dela, dando-lhe bom dia da porta da cozinha, ameaando virar de pernas para o ar todo o seu mundo.
    - Bom dia, Cole. - disse virando-se para ele. - Como...?
    No conseguiu terminar a pergunta. Um n formou-se em sua garganta ao v-lo na porta, vestindo apenas uma cala jeans, descalo e com o peito nu. Era demais. Demais para ela. Demais para qualquer mulher.
    Estava hipnotizada, mas percebeu que com ele tinha acontecido o mesmo. Estava a despi-la com o olhar, desejando tirar-lhe a blusa e a cala, desejando libertar o calor que estava encerrado dentro do seu corpo.
    - Cheira muito bem.
    As palavras de Cole fizeram-na voltar a si e, rapidamente, voltou a virar-se para no o ver.
    - Espero que tenha fome - disse Patrina.
    - Estou esfomeado.
    A vos dele tinha soado mais prxima, como se tivesse entrado na cozinha e estivesse mesmo atrs dela.
    - Como  que gosta dos ovos? - Perguntou ela sem virar-se.
    - De todos os jeitos, faa-os como voc gosta - sussurrou ele ainda mais perto.
    Nervosa, Patrina virou-se com uma colher de pau na mo, como se acreditasse que com isso pudesse defender-se.
    Deparou-se diante dele, quase conseguia sentir a sua respirao, quase conseguia tocar os seus lbios.
    - Antes de usar essa arma contra mim - disse Cole agarrando na colher de pau, - quero agradecer por tudo.
    - Agradecer-me? Por que? - perguntou tremendo.
    - Por ter-me trazido para sua casa, por ter cuidado de mim, por aguentar a minha teimosia.
    Teimoso? No quereria dizer arrogante?
    - Sou mdica, estou habituada a cuidar de todos os tipos de pessoas.
    - Tambm  mulher, Patrina - disse ele. - Creio que precisa que te lembrem disso mais vezes.
    - Por que acha que me esqueci? No  necessrio que me lembre de nada; alm disso, no tem nenhum direito de faz-lo.
    - No sei se voc esqueceu, mas parece empenhada em ignorar, em esconder. Nego-me a que o faa. Quero que deixe sair a paixo que tem dentro de si.
    Ia responder-lhe quando ele, sem lhe dar tempo, beijou-a. Voltou a sentir a mesma reao instintiva de se afastar dele, mas em seguida cedeu aos seus impulsos e devolveu-lhe o beijo.
    O que estava fazendo? Em que estava se transformando? S conseguia pensar na lngua de Cole percorrendo a sua boca, nos seus seios pressionados contra o trax dele. Quanto mais o beijava, mais queria, mais se afastava do mundo onde se sentia segura. Mas no conseguia evitar, a boca dele era irresistvel, provocadora, incontrolvel, emanava um desejo selvagem, um desejo que j tinha esquecido, um prazer ainda mais intenso do que na noite anterior.
    Ento, ele deixou de beij-la e ela, desorientada, baixou a cabea e refugiou-se no peito dele, incapaz de olhar para ele nos olhos. Enquanto ele lhe acariciava o cabelo, Patrina esforava-se por reunir as palavras necessrias para lhe dizer que no queria nada daquilo, que era feliz no seu mundo tranquilo e isolado, que precisava continuar a viver na solido.
    
    - Poderia continuar te beijando - murmurou ele no seu ouvido.
    - Por que voc torna tudo to difcil? - perguntou Patrina levantando o olhar.
    - No torno nada difcil, sou apenas persistente. No me renderei at te convencer.
    - No se esforce, no conseguir nada.
    Cole olhou para ela tentando decidir se devia continuar a insistir, se devia dar rdea solta  excitao que sentia.
    - Quer que te ajude a fazer o pequeno almoo? - perguntou mudando de assunto.
    - No, obrigado.  Pode esperar na sala, logo ficar pronto.
    - Em outras palavras, quer que eu v embora, no ? - perguntou Cole sorrindo.
    - Sim,  isso que quero.
    - Como queira.
    Com alguma frustrao, Cole virou-se e foi para a sala, decorada como toda a casa, com mveis fortes de madeira, resistentes ao clima agreste daquela regio. Numa das paredes, um sof de couro, coberto por uma capa, concedia ao ambiente um ar caseiro, completado por uma hospitaleira lareira.
    Cole olhou para a tempestade do outro lado da janela e perguntou-se como o seu pai fizera para sobreviver naquele clima, no alto da montanha, tanto tempo, sobretudo durante os anos que passou sozinho antes conhecer Abby. Sups que deva ter-se rodeado de pequenas coisas quotidianas para combater a solido, assim como Patrina fazia. Cole respeitava essa forma de vida, mas no que dizia respeito a ela, no deixava de pensar que haviam sinais evidentes de que aquela mulher precisava de mais alguma coisa.
    Assistira a algo muito parecido quando criana, vendo sua me recusar vrias vezes todas as oportunidades que apareciam  sua volta e que a teriam feito feliz. Como com o seu professor do quarto ano, o senhor Jefferson. Em vez disso, inventou uma historia acerca da morte do seu pai, transformando-se numa mrtir de sua prpria infelicidade para acabar por se entregar a uma espcie de recluso imposta por ela prpria. E, embora Cole e os seus irmos tivessem acabado por descobrir a mentira, a me de Cole, Carolyn Roberts, continuou a comportar-se como se Corey Westmoreland tivesse morrido de verdade. Ningum foi capaz de fazer qualquer coisa por ela, amargurada e desfeita por um pensamento repetido, a certeza de que h muito tempo tinha deixado de ocupar o corao do seu ex-marido.
    Finalmente, acabou por morrer do mesmo modo em que tinha vivido durante tantos anos, detida na mesma priso que Patrina tanto parecia precisar. Por alguma razo que nem ele prprio era capaz de compreender, estava determinado a no permitir que acontecesse a ela o mesmo que  sua me. No estava interessado numa relao sria e douradora, nem com ela nem com nenhuma outra mulher, mas estava determinado a ser o arteso de sua ressurreio, em voltar a mostrar-lhe a alegria de viver.
    Passeando pela sala, Cole aproximou-se da lareira e descobriu, sobre a estreita prateleira de tijolo, vrias fotografias cuidadosamente preservadas. Uma delas mostrava Patrina vestida de noiva e acompanhada por algum que sem dvida, devia ser Perry. Pela informao que Durango lhe dera, o casamento durou cinco anos, interrompido pela morte repentina do marido de Patrina.
    Segundo Durango, Perry foi, alm de um excelente chefe de policia, um homem muito querido e respeitado. Olhando para a fotografia, Cole sentiu uma pontada no estmago. Por que era to difcil olhar para aquela fotografia?
    Decidiu deixar de olhar para ela e observar uma outra em que Patrina aparecia acompanhada por duas mulheres. As trs tinham um evidente ar familiar. Seriam a sua me e a sua av? Foi ento quando percebeu que, na verdade, sabia muito pouco sobre ela ou sobre sua famlia, s conhecia o irmo, Dale, que havia conhecido no casamento de Casey.
    - Acabei de colocar os bolos no forno. Ficaro prontos em seguida - disse Patrina da porta.
    - Quem so estas duas mulheres? - perguntou Cole apontando apara a fotografia.
    -  a minha me e a minha av - respondeu entrando na sala mas mantendo-se a distancia.
     - Ainda esto vivas?
    - Infelizmente, no - respondeu com a tristeza nos olhos. - Foram as parteiras da cidade. Na realidade, todas as mulheres da minha famlia, desde a minha bisav, foram parteiras. Duvido que haja uma s criana nos arredores que no tenha sido trazida ao mundo por uma de ns. Eu segui a tradio, embora tenha aproveitado para estudar medicina na universidade.
    - Dale  a nica famlia que te resta?
    - Sim , e acredite,  mais do que suficiente.
    Da forma como tinha dito, Cole sups que mantinham uma relao muito prxima, assim como ele com os seus irmos.
    - Suponho que este aqui - disse Cole assinalando a foto de casamento de Patrina - Seja o Perry.
    - Sim - ela confirmou aps alguns segundos. - Sou eu e o Perry no dia em que nos casamos. Era um homem maravilhoso.
    - Tambm me disseram isso. Durango e McKinnon gostavam muito dele.
    - Todo mundo gostava do Perry. Era muito fcil lidar com ele. No devia ter morrido como ocorreu.
    - Mas foi o que aconteceu, Patrina - disse Cole.
    No queria parecer insensvel  sua dor, mas era necessrio falar-lhe assim se queria salv-la das trevas em que estava vivendo h trs anos.
    - No preciso que me lembre - afirmou ela orgulhosa. - mas, j que o fez, aproveito para te dizer que a forma como morreu convenceu-me para sempre de que nunca mais terei nada a ver com um agente da lei.
    - Por que? - perguntou Cole tentando testar a segurana com que ela tinha dito aquela afirmao. - Por que morreu cumprindo o seu dever?
    - Por que foi uma morte sem sentido. Em minha opinio, essa  uma razo suficiente.
    Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Patrina virou-se e voltou para a cozinha.
    Que palavras podia empregar para lhe dizer que aquela no era razo suficiente? Como lhe podia explicar que os homens que se dedicavam quela profisso, faziam-na sabendo que arriscavam suas vidas e que, apesar disso, no se importavam? Como lhe podia explicar que para eles valia  pena se isso significasse ajudar as pessoas? Cole sabia por experincia prpria. De fato, se deixou de ser um ranger no foi pelo perigo, mas sim pela necessidade de mudar de vida, pelo desejo de aproveitar as infinitas possibilidades que a vida lhe oferecia.
    - O pequeno almoo est pronto - disse Patrina da cozinha.
    - Vou j.
    Enquanto vestia uma camisa, Cole pensou no que deveria fazer. Era possvel que ela estivesse chateada pela conversa acerca do seu marido, mas aquilo no o deteria. Aquela mulher atraia-o, excitava-o, despertava nele um desejo que nunca tinha sentido antes.
    Era capaz de tudo para convenc-la.




    Patrina estava colocando os pratos na mesa da cozinha quando Cole entrou.
    H quanto tempo no compartilhava de um pequeno almoo com um homem?
    - Que bom aspecto tem isto tudo - disse ele lavando as mos na pia.
    - Obrigada, Cole. Espero que goste.
    - No vai comer comigo? - Perguntou aproximando-se dela. - gostaria que o fizesse.
    - Tenho coisas para fazer - respondeu Patrina perturbada pela presena dele.
    - Tem que comer alguma coisa - assinalou ele aproximando-se um pouco mais. - Por que ser que tenho a sensao de que tem medo de mim?
    Patrina olhou para ele tentando que de algum lugar do seu corpo sasse uma resposta glida, cortante, mas no foi capaz. Os olhos de Cole pareciam estar hipnotizando-a, envolvendo-a com a respirao numa onda de desejo. O seu cheiro vencendo a sua vontade.
    - Por que  to persistente?
    - Por isto - respondeu Cole agarrando a mo dela entre as suas.
    O contato provocou uma reao em cadeia por todo o seu corpo, como se uma corrente eltrica libertada pelos dedos dele a tivesse incendiado. Comeou a sentir calor, mais calor, um fogo intenso que tambm via refletido nos olhos de Cole.
    - V? - disse ele.
    -  melhor voc sentar e comer - apressou-se a responder Patrina. - Vai ficar frio.
    - As senhoras primeiro - disse ele puxando uma cadeira para ajud-la a sentar.
    - Obrigada.
    - Ser um prazer comer com voc.
    Mas, o que tinha feito? Sem perceber, cedeu fazendo exatamente o que ele queria desde o princpio.
    "Como conseguia ser to tonta?"
    Cole comeou a servir-se como se no comesse h vrios dias. A mesa estava repleta de bolos, ovos, bacon, suco de laranja e caf. Ficou explicado que o senhor Westmoreland gostava de comer.
    - O caf est delicioso. Quente e forte, do jeito que eu gosto.
    Patrina quase o disse que Perry tambm costumava beb-lo assim, mas decidiu no dizer nada.
    - A televiso funciona?
    - Sim - respondeu ela.
    - Por que no a liga?
    - No costumo ter tempo para fazer isso - ela voltou a dizer. - Costumo trabalhar muito, assim, vejo-a quando estou no hospital. Alm disso, no costuma passar nada de interessante, s programas do corao e coisas parecidas.
    - Quer dizer que nunca assistiu CSI? - perguntou ele bebendo um gole de caf.
    - J disse que no quero ter nada a ver com a lei. Isso inclui os programas de televiso.
    - Tenho certeza de que os policiais daqui no esto muito contentes com voc. - brincou ele.
    - No deturpe as minhas palavras. No tenho nada contra eles, de fato fui casada com um policial. O que quis dizer  que j no quero ter nada a ver com esse mundo.
    Cole perguntou-se se o que ela acabava de dizer, alm de ser uma referncia ao seu falecido marido, tambm se referia a ele. Ningum da sua famlia, exceto o seu irmo Clint e o seu primo Quade, sabia que tinha pedido demisso. Planejou dizer a todos na festa de aniversario do seu pai. E embora confessar isso para Patrina fosse uma grande ajuda, no queria faz-lo. Estava determinado a demonstrar-lhe que a paixo estava acima de tudo, acima das ms recordaes e das teimosias.
    - Se deseja, pode assistir televiso, no me importo, eu prefiro ler.
    - Algum livro de Rock Mason?
    - Sim.
    Cole reprimiu uma gargalhada irnica. Ambos sabiam que Rock Mason, cujo nome real era Stone Westmoreland, era seu primo. A mulher de Stone, Madison, tinha dado  luz um ms antes.
    - J sabe quem vai ser a prxima vtima? - perguntou Cole fazendo referncia ao livro.
    - Ainda no.  cativante. Acho que Stone est prestes a comear outro livro - disse Patrina estendendo a mo para pegar a cafeteira.
    - Posso ajudar em alguma coisa? - perguntou ele.
    - Fazendo o qu?
    - No sei... Cortar lenha para a lareira, lavar os pratos, fazer um boneco de neve... S precisa dizer e eu farei.
    - H madeira suficiente. Dale trata sempre disso quando vem aqui. E sobre os pratos... No  preciso, obrigado. Eu os coloco de molho na lava loua e lavo-os em seguida.
    - E por que no fazemos um boneco de neve? - sorriu Cole.
    - No, obrigado, est muito frio.
    - No exagere... Tenho certeza que est habituada. Ande, vamos.
    - No se esforce, no vou sair. Alm disso, voc deveria continuar descansando, ainda no est recuperado.
    - Estou perfeitamente bem - garantiu Cole levantando-se da mesa. - Por que no fica a sentada lendo tranquilamente enquanto eu lavo os pratos?
    - Cole, no precisa fazer isso.
    - Mas quero faz-lo, preciso fazer alguma coisa. V buscar o seu livro, eu trato disto.
    - Comecei a l-lo ontem.
    - Eu sei - disse Cole comeando a recolher os pratos. - Vi voc sentada lendo. Adormeceu, no foi? No tenho certeza, porque depois voltei a despertar e j no estava l.
    - A cadeira era um pouco incmoda e fui para a minha cama.
    - Poderia ter se deitado na minha - disse Cole olhando para ela. - No me importaria de dar-lhe espao.
    - No vai deixar de insistir, no ?
    - J expliquei, Patrina. Nada mudou em mim. De fato, at estou mais convencido hoje do que ontem.
    - Por que?
    - Voc j sabe. Porque te desejo e voc me deseja.
    - E se eu disser que no o desejo? Que no me atrai? - perguntou Patrina desviando o olhar.
    - Diria que est mentindo.
    - No vai acontecer nada entre ns, Cole - replicou furiosa.
    - Quer apostar? Patrina, quando demos a mo, sentiu o mesmo que eu. E ontem, quando nos beijamos, aconteceu o mesmo. Consigo sentir a sua excitao. Quero que a deixe sair.
    - Voc se acha to irresistvel ao ponto de pensar que nenhuma mulher pode te dizer um no?
    - No. Sou apenas um homem incapaz de resistir  sua beleza.
    
    Furiosa com a conversa que acabavam de ter, e vendo que no iam chegar a nenhum lugar, Patrina levantou-se da mesa, saiu da cozinha e entrou na sala para ficar sozinha.
    Respirando profundamente, com as palavras que Cole acabou de falar ainda s voltas em sua cabea, recordou os fatos desde que se deparou com ele na estrada. Era realmente possvel que duas pessoas sentissem uma atrao to forte uma pela outra de uma forma to sbita e espontnea?
    Patrina no sabia responder  pergunta, mas tinha certeza absoluta de que isso nunca lhe tinha acontecido. Perry e ela se conheciam desde crianas, quando a famlia dele se mudara para a cidade e comearam a namorar no colgio. Tiveram uma relao tranquila e convencional. Custou-lhes muito pouco controlar a influncia dos hormnios durante os anos em que saram, e, desse modo, chegaram virgens  noite de npcias. Com Perry, foi muito simples. Com Cole, por sua vez, era diferente. Seria a atrao que sentiam um pelo outro razo suficiente para se atirar a uma relao desenfreada?
    Cole parecia ter uma opinio muito definida a esse respeito. Para ele era razo suficiente. Estava determinado a viver aquela paixo independentemente do que acontecesse depois.
    "S por cima do meu cadver", pensou Patrina cheia de raiva e de frustrao.
    Se Cole a via unicamente como um objeto sexual, estava pronta a demonstrar-lhe que no era. E o melhor que podia fazer para conseguir era ignor-lo.
    Saindo da sala, entrou no seu quarto e fechou a porta com fora. 
    Deitou-se na cama, agarrou o seu livro na mesinha de cabeceira e preparou-se para passar o dia tranquilamente, ignorando completamente a presena dele ali.
    
    Quando acabou de lavar o ltimo prato do pequeno almoo, Cole secou as mos e olhou ao seu redor. Patrina tinha se metido no quarto dela, disposta a ignor-lo.
    "No importa", pensou Cole. "Mais cedo ou mais tarde vai ter que sair dali".
    Podia fazer mil coisas para passar o tempo at que chegasse aquele momento. Na sua mala, por exemplo, guardava muitas palavras cruzadas para fazer. Adorava exercitar a mente sempre que podia.
    Saiu da cozinha e parou por alguns momentos diante da porta do quarto de Patrina, tentado a bater.
    Mas no, no era o momento. Tinha que esperar. Acabaria por sair, embora fosse apenas para comer.
    Com um sorriso nos lbios, afastou-se para o seu quarto determinado a esperar o tempo que fosse necessrio.
    
    Deitada na cama, Patrina olhou para o cu atravs da sua janela. A neve caa ainda com mais fora do que no dia anterior.
    Que horas seriam?
    Consultou o relgio da mesinha. J era tarde. Como tinha passado o tempo?
    De repente, ergueu-se da cama ao sentir um doce aroma proveniente da cozinha. Levantou-se, foi at a porta e abriu-a. O cheiro intensificou-se. Movida pela curiosidade, saiu do seu quarto e dirigiu-se  cozinha.
    Ali estava Cole, com um avental agarrado  cintura e cozinhando tranquilamente.
    - O que voc est fazendo? - perguntou ela.
    - Achei que era a minha vez de fazer o jantar. - respondeu sorrindo-lhe como se fosse a situao mais normal do mundo.
    - No pensei que soubesse cozinhar.
    - H muitas coisas que no sabe sobre mim. Sim, sei cozinhar. De fato, gosto muito. Ficar pronto num minuto.  um prato tpico do Texas.
    - Cheira muito bem - disse ela aproximando-se um pouco.
    - Ver como tambm tem um sabor muito bom.
    - Precisa de ajuda?
    - No  necessrio, j tratei de tudo, como passou o dia?
    Uma parte de Patrina sentiu-se culpada ao pensar que tinha passado horas fechada no quarto, lendo, enquanto ele estava preparando o jantar para os dois.
    - Bem, mas devia ter te ajudado.
    - No senhora. Precisava ficar sozinha.
    - Bom, pelo menos ponho eu a mesa - disse ela lavando as mos.
    Sem esperar pela resposta, e visto que no fim das contas a cozinha era dela, Patrina abriu os armrios determinada.
    - Acabou o livro? - disse ele virando-se para ela, fazendo com que a camiseta de manga curta que vestia lhe marcasse os msculos.
    Mas Patrina no ouviu a pergunta. Estava olhando para ele.
    - E?
    - E o qu? - perguntou perturbada.
    - Perguntei se j acabou o livro - repetiu Cole, dessa vez sorrindo.
    - Ainda no. Mas est tornando-se muito interessante - disse ela sem deixar de olhar para ele.
    - Vai pr a mesa? - perguntou Cole ao ver que Patrina continuava de p sem fazer nada.
    - Sim, claro - respondeu ela percebendo que estava olhando para ele como uma tonta com os pratos na mo.
    Mas ao coloc-los sobre a mesa, deparou-se com o corpo de Cole diante dela.
    - Sei que precisava de espao para si - disse Cole agarrando os pratos, - mas eu no me senti bem.
    - Por que? - perguntou ela incapaz de pensar noutra coisa para dizer, como se ele tivesse esvaziado a sua mente.
    - Porque teria gostado de passar o dia com voc.
    - O que teramos feito?
    - Palavras cruzadas - respondeu ele com um sorriso sedutor. 
    - Palavras cruzadas? - repetiu Patrina, que no tinha a certeza de ter ouvido bem.
    - Sim, palavras cruzadas, gosto de faz-las.
    No era o nico que gostava de faz-las.
    Estava conseguindo o que se proposera.
    Patrina tinha o corpo ardente. Estava desejando abra-lo, beij-lo...
    - No pense, Patrina. Faa. - murmurou Cole.
    Patrina olhou para ele assustada. 
    Como sabia o que estava pensando? Notava-se tanto assim?
    - Deixe-se levar.
    Suavemente, Cole agarrou o rosto dela entre as mos e colou o corpo dele contra o dela.
    Ao faz-lo, provocou uma resposta imediata em Patrina, uma resposta instintiva que no foi capaz de controlar. O desejo estava apoderando-se dela, fazendo com que os seus seios se endurecessem e os pulmes respirassem agitadamente. A sua capacidade de raciocinar havia desaparecido.
    Quando os lbios dele tocaram os dela, Patrina j estava entregue. Comeou a saborear a boca dele, deixando que a sua lngua entrasse pouco a pouco.
    Cole deslizou as suas mos imperceptivelmente pelo corpo dela e comeou a acariciar-lhe a cintura, a rodear-lhe as costas e a descer suavemente.
    Ento, colada a ele, sentiu a excitao dele no seu ventre, como se fosse uma pedra. Sem saber por que, Patrina colou-se ainda mais a ele; precisava senti-lo a todo custo.
    Determinada a deixar-se levar, envolveu o pescoo de Cole com as suas mos e beijou-o com ardor.
    Mas no era o suficiente.
    O membro ereto dele estava enlouquecendo-a.
    Precisava toc-lo.
    Senti-lo.
    Deslizando as mos pelo corpo dele, chegou ao seu cinto e comeou a tirar-lhe a cala urgentemente, incapaz de pensar em outra coisa.
    E, ento, o alarme do forno comeou a apitar.
    Para Patrina, foi como se lhe tivessem atirado um balde de gua fria sobre a cabea.
    Afastou-se dele como se tivesse recebido uma descarga. Tinha o rosto vermelho, os olhos dilatados e estava desorientada.
    O que tinha acontecido?
    Onde estava?
    - Patrina?
    Mas ela foi incapaz de responder. Queria que a terra a engolisse. Como diabos tinha avanado tanto?
    - Patrina, olhe para mim.
    - No - disse, virando-se, pronta para sair dali. - No quero olhar para voc, quero ficar sozinha, deixe-me ficar sozinha.
    - O que voc tem  medo - disse Cole seguindo-a at a sala. - tem medo de se deixar levar, de se entregar  paixo que tem acumulada.
    Patrina voltou-se para lhe responder, mas ao faz-lo, chocou-se com ele. Perdeu o equilbrio e caiu de costas no sof. E ele foi atrs.
    Tinha-o em cima dela, os corpos estavam colados.
    Cole olhava para ela, envolvendo-a naqueles olhos que era incapaz de resistir. De onde vinha aquela excitao incontrolvel? Por que no sentiu nada parecido com Perry, apesar de ter apreciado todos e cada um dos beijos que tinham dado? Era como se ela e Perry tivessem sido mais amigos do que amantes. Na cama, o seu marido sempre se comportara com a mesma delicadeza que fora dela, tratara-a como se fosse um copo de fino cristal que pudesse se partir a qualquer momento.
    Cole, por sua vez, estava fazendo exatamente o contrrio. No a tratava com delicadeza nem com diplomacia. Estava tratando-a como mulher, incendiando nela uma excitao furiosa que at esse momento nunca havia conhecido. Apostava que a conseguiria e no iria parar diante de nada.
    Os olhos de Cole refletiam toda aquela intensa paixo, mas estava quieto, como se estivesse deixando para ela a iniciativa.
    Ficaram em silencio, observando-se atravs da penumbra da cozinha, enquanto l fora a tempestade continuava descarregando toneladas de neve contra as slidas paredes da casa. Patrina conseguia sentir cada msculo, cada pequena parte do corpo dele em cima dela, excitando-a, desapertando gradualmente as ligaduras que encarceravam as ltimas reservas de sensatez que lhe restavam.
    E, ento, incapaz de resistir mais, Patrina rodeou-lhe o pescoo com os braos e o atraiu para si para beij-lo. Naquele momento, como se aquele fosse o sinal que tinha esperado, Cole comeou a beij-la exasperadamente, como se estivesse tomando posse do seu territrio, como se ela fosse dele, como se tivesse sido dele desde o principio. E Patrina estava fazendo o mesmo.
    Algum tempo depois, sem ser capaz de decifrar quanto, Patrina percebeu que Cole havia deixado de beij-la e olhava para ela enquanto recuperava o flego.
    - Creio que deveramos ir jantar - murmurou Cole apertando-a entre os braos. - Quando acabarmos... Faremos o que voc quiser.
    


    
    
    Sentado na mesa da cozinha, Cole olhou para Patrina. Estavam acabando de jantar e no tinham dito nenhuma palavra desde que sentaram.
    Estaria pensando no que acabara de acontecer?
    No havia a menor dvida de que era a mulher mais apaixonada que j conhecera. E teimosa. Certamente estava arrependendo-se do que aconteceu, convencendo a si prpria de que foi um erro que no deveria voltar a repetir.
    Pelo menos estava provando-a que tinha razo, que ela era uma mulher sensual por mais que quisesse esconder.
    Mas aquele silncio inquietante j tinha durado demais.
    Tinha que conseguir que ela dissesse alguma coisa.
    - O que fazem exatamente na clnica? - perguntou Cole bebendo um golo de vinho.
    - Por que quer saber? - ela devolveu a pergunta ceticamente.
    - Porque me interessa.
    - Por que te interessa? - insistiu ela como se estivesse ganhando tempo.
    - Interesso-me por tudo que tenha a ver com voc - respondeu ele sinceramente.
    - E se eu no te disser?
    - Bem... Nesse caso terei que procurar alguma forma de te fazer falar. - disse Cole com voz sedutora.
    -  uma clnica para mulheres - Patrina disse finalmente. - As pessoas trabalham l voluntariamente. Oferecemos todo o tipo de servios de sade, checapes mensais, anlises de gravidez, anlises de cncer de mama, educao sexual...
    - Quando  que voc costuma ir l?
    - Sempre que posso - continuou Patrina. - durante vrias horas por dia. Queria ter mais tempo. Dependemos de investidores privados e os servios que oferecemos no so propriamente baratos para ns. Mas, apesar de tudo, conseguimos garantir um servio de sade s mulheres que mais precisam dele.
    - As grvidas?
    - No apenas para grvidas, mas para todas as mulheres que dele precisam. Por exemplo, no ano passado, tratamos mais de mil mulheres desalojadas. Todas merecem o melhor tratamento que pudermos oferecer.
    Ouvindo Patrina falar, ele percebeu o quanto aquela clnica significava para ela. Mas, tambm percebeu, pela primeira vez, que era uma mulher muito veemente e expressiva. No parava de fazer gestos com as mos para explicar melhor o que estava dizendo, os olhos brilhavam...
    E que mos delicadas e bonitas ela tinha! Queria voltar a tocar aquelas mos que com tanta urgncia lhe tinham desabotoado a cala naquela cozinha, antes do maldito forno comear a tocar.
    Cole olhou para o rosto dela, para os olhos, o nariz, para os lbios... Tudo parecia estar esperando ser beijado por ele. E ele queria. Queria desp-la, meter-se na cama com ela, pousar o corpo...
    - Desculpe... Estou aborrecendo-o - disse Patrina de repente.
    - No, claro que no - respondeu Cole saindo de seu devaneio. - Tudo o que disse  muito interessante.
    "Embora fosse muito mais interessante fazer amor com voc", pensou ele.
    - J que voc fez o jantar, acho que  a minha vez de arrumar a mesa - disse ela levantando-se e estendendo a mo para alcanar o prato de Cole.
    - No gosto quando voc fica nervosa e com medo de mim - disse ele agarrando a mo dela.
    - No tenho medo de voc - replicou Patrina soltando a sua mo. - S que h muitas coisas que no entendo.
    -  impossvel entender tudo na vida. E menos ainda o que tem a ver conosco.
    - No h um conosco, Cole.
    - Preciso te lembrar o que aconteceu h algumas horas?
    - Aquilo foi um erro.
    - A mim no pareceu. - disse ele a sorrir. - se no me tivesse detido, teramos continuado a nos beijar como loucos. Olhe, Patrina, se isso te tranquiliza, posso ajud-la a lavar os pratos e depois vamos para a cama, separados, cada um na sua; foi um dia muito comprido - props Cole, embora no fosse, nem parecido o que queria fazer. - Mas, se quiser passar a noite comigo, no tenho nada contra. Eu gostaria imensamente - acrescentou suavemente em voz baixa.
    - Eu durmo na minha e voc na sua - sentenciou ela.
    - Ser como quer.
    - Evidentemente.
    - Bom, j est decidido. Agora, pelo menos, deixe-me ajudar a arrumar a cozinha.
    - Posso arrum-la sozinha, obrigada - insistiu ela, comeando a tirar a toalha da mesa.
    - Como quiser - disse Cole levantando-se da mesa. - Eu saio.
    - Est bem - disse ela, surpreendida por deix-la tranquila to facilmente.
    - No, no est - disse Cole da porta. - O que na verdade estaria bem era dormirmos juntos esta noite. Isso  que estaria bem.
    Passado alguns minutos, Patrina ouviu da cozinha o barulho do chuveiro no quarto de Cole, o que a tranquilizou, j que queria dizer que estava determinado a cumprir a sua palavra e deix-la em paz.
    No entanto, a tranquilidade durou pouco. A sua mente comeou a imaginar Cole nu debaixo d'gua no banheiro, e recordou o que aconteceu algumas horas antes, a forma como estavam um em cima do outro no sof da sala, com os corpos colados, a facilidade com que ele despertou o desejo dentro dela.
    Mas no devia voltar a acontecer. Tinha que mostrar mais resistncia, faz-lo compreender que no era nenhuma mulher provinciana solitria que ele pudesse manipular conforme o seu desejo.
    Falar sobre o seu trabalho na clnica a havia feito raciocinar, recordando todos e cada um dos dias que passou com mulheres desesperadas, cujo nico erro foi se deixarem levar por um momento errado.
    No, ela no ia cometer o mesmo erro, porque estava cada vez mais convencida de que a nica coisa que ele queria era deitar-se com ela, nada mais. E embora j no pudesse negar o fato de que sentia uma inegvel atrao sexual por ele, estava determinada a no voltar a cair em suas redes.
    Patrina acabou de lavar os pratos e de limpar o cho e antes de se retirar ao seu quarto para ler um pouco, ligou o rdio para ouvir o boletim meteorolgico. Desejava que aquela tempestade terminasse para que Cole fosse embora e ela pudesse recuperar a sua vida de sempre.
    A sua vida de sempre.
    Ir e voltar para a clnica.
    Fazer visitas por toda a cidade.
    Estar sempre sozinha.
    E se fizesse o que ele queria apenas por uma noite? Se esquecesse dela prpria, da sua vida e se entregasse ao prazer?
    Que mal teria em satisfazer as suas necessidades sexuais?
    O que no conseguia negar era que se sentia excitada s de pensar que um homem como Cole Westmoreland pudesse ach-la atraente. Porque no aproveitar as circunstncias? No fim das contas, quando a tempestade terminasse, ele iria embora e seria muito difcil que voltassem a se encontrar, j que s ia a Bozeman de vez em quando para visitar a sua irm Casey.
    No entanto, ficava pendente o assunto da festa que Casey e Abby organizaram para o pai de Cole, Corey. Patrina estava convidada e Cole estaria l. V-lo depois de ter passado uma noite inteira com ele no seria to incmodo. O desejo teria desaparecido. Alm disso...
    "Mas, o que est pensando? Quanto vinho bebeu no jantar?", pensou para si prpria, ligando o rdio e aquecendo um pouco de caf.
    Poucos minutos depois, vendo a neve a cair atravs do vidro, Patrina percebeu que, se a previso do tempo que acabara de ouvir no rdio se cumprisse, aquela seria a ltima noite que Cole passaria em sua casa. Segundo as notcias, a tempestade terminaria no dia seguinte, durante a manh.
    Ia ser um prazer ficar sozinha, poder andar pela casa sem se preocupar com ningum, voltar a se vestir como gostava!
    - Ainda est nevando?
    - O qu? - perguntou Patrina virando-se bruscamente e derramando um pouco do caf que tinha na mo.
    Cole dirigiu-se a ela rapidamente e pegou a xcara de caf.
    - O que pretende fazer? Queimar-se?
    - Assustou-me - respondeu ela.
    - Desculpe, no foi minha inteno - desculpou-se ele, colocando a xcara em cima da bancada.
    Foi ento que Patrina reparou que Cole estava descalo e de cueca. O tipo de roupa interior que Dale, o seu irmo usava, embora nunca tivesse reparado como ficava mal nele.
    Alm disso, percebeu que ele estava excitado, que o membro ereto se escondia,  espreita, atrs de um ostensivo volume no meio das pernas.
    - E ento?
    - E ento... O qu?
    - A tempestade.
    - Creio que comear a diminuir amanh - disse Patrina sem saber ao certo se Cole referia-se a neve ou ao que estava acontecendo dentro das paredes da casa.
    - Isso quer dizer que terei que ir embora.
    - Tenho certeza que Casey vai gostar muito de ver voc.
    - E eu tenho certeza que voc quer ficar sozinha outra vez.
    Patrina olhou fixamente para ele. Era isso o que ela queria? Ficar sozinha novamente?
    - H uma linda lua cheia - disse Cole apontando para o cu noturno.
    - ? - perguntou ela na defensiva, incapaz de acreditar que ele pudesse ter fito aquele comentrio sem nenhum duplo sentido.
    - Ian diz que cada lua cheia tem um significado diferente e que  diferente de todas as outras.
    Ian era primo de Cole. Tinha estudado Fsica e depois trabalhara durante algum tempo na NASA. Nos ltimos tempos mudara de profisso e administrava um cassino no lago Tahoe.
    - E o que acha que ela quer nos dizer?
    - As luas de Abril so smbolo de fertilidade. Convidam-nos a libertar os nossos desejos.
    - Tem certeza que Ian disse isso?
    - No, deu-me um livro que falava sobre o assunto. Na realidade, como j disse a voc ontem, nem Casey nem meu pai esperam minha visita seno dentro de algumas semanas. Digo isto porque, se no te importar, prefiro que no saibam de nada disto.
    - Nada do qu? No aconteceu nada.
    - Nada?
    - Apenas alguns beijos...
    - Ento, no foi um sonho, no ? - murmurou Cole olhando para ela.
    - No, no foi um sonho - respondeu Patrina.
    - Quer que o faamos novamente?
    Patrina ia responder que no quando algo dentro dela a deteve. Aquela era a ltima noite que iam passar juntos. Seria muito difcil que os seus caminhos voltassem a se cruzar. Ia deixar escapar aquela oportunidade? Desejava voltar a beij-lo, desejava com todas as suas foras.
    - Patrina?
    - Talvez - respondeu ela olhando fixamente para ele.
    - Talvez? - repetiu ele surpreendido.
    - Sim, talvez eu gostasse de fazer isso novamente.
    - Talvez? No tem certeza?
    - Prefiro que voc tentasse me convencer.
    - Tem conscincia do que est dizendo?
    "Claro que tenho", pensou ela. "S um beijo, um beijo antes que v embora, por favor"
    - Perfeitamente - respondeu Patrina.


    
    
    Cole beijou-a sem esperar um segundo, desejando saborear a boca dela. Queria que Patrina voltasse a sentir a paixo dentro dela e se deixasse ir mais alm.
    Deu tudo o que tinha dentro dele para cativ-la o mximo possvel. Beijou-a vrias vezes seguidas. E comeou a surtir efeito. Patrina estava comeando a suspirar, a beij-lo, a tentar aprisionar os lbios dele aos dela.
    Consciente de que estava comeando a entregar-se, Cole decidiu aumentar a intensidade e comeou a beij-la com mais ardor, saboreando cada canto da boca dela, descobrindo cantos que nunca foram explorados, tentando dezenas de formas de excit-la.
    Entretanto, no deixava de observ-la. Gostava de ver as plpebras dela movendo-se continuamente, os olhos brilhantes, as pupilas dilatadas.
    Determinado a avanar o mais longe possvel, Cole comeou a desabotoar gradualmente os botes da blusa dela. A cada boto que conseguia abrir, a pele dela tornava-se mais visvel. Os seus seios estavam cada vez mais perto.
    - Disse apenas para me beijar - murmurou Patrina.
    - Eu sei, - disse ele desabotoando o ltimo boto - mas h muitas formas de beijar.
    Com um simples movimento dos dedos, Cole desabotoou-lhe o suti e os seios dela apareceram excitados. Comeou a acarici-los suavemente com a lngua, percorrendo os mamilos uma e outra vez. Patrina tinha fechado os olhos e estava sussurrando o nome dele, reforando a sua excitao, incentivando-o a continuar.
    Lentamente, sem deixar de beijar-lhe os seios, desceu uma mo ate  cala dela e, devagar, desabotoou-lhe o boto, abriu o fecho e baixou-a.
    Patrina estava to entregue que no percebeu.
    Enquanto a sua lngua aumentava a frico nos seus seios, Cole comeou a percorrer o interior das pernas dela, seguindo a linha da calcinha.
    - O que... Est fazendo?- perguntou ela quase num suspiro, sem o deter.
    - Como j disse, h muitas formas de beijar - respondeu Cole escolhendo as palavras com cuidado. - Permita-me que mostre a voc algumas delas.
    Patrina olhou para ele com os olhos entreabertos, como se estivesse decidindo se o deixava continuar ou no, se entrava naquele novo mundo ou parava  porta.
    
    Patrina tentava recuperar o flego, mas a nica coisa que conseguia fazer era olhar para os lbios de Cole, lbios que estavam oferecendo-lhe sensaes que nunca havia sentido.
    Queria mais, precisava de mais.
    Durante os cinco anos em que esteve casada, seu marido Perry nunca conseguiu excit-la daquela forma. E aquele homem, em apenas um dia, conseguiu colocar a sua vida de pernas para o ar.
    Ia permitir que continuasse?
    Como se estivesse explorando os seus pensamentos mais ntimos, Cole comeou a acarici-la nas profundezas do seu sexo.
    - Diga-me - murmurou ele. - diga-me que posso te beijar aqui. - acrescentou introduzindo um dedo dentro dela.
    Patrina sentiu como se um ferro em brasa estivesse entrando no centro do seu corpo e estivesse queimando-a. S ele conseguia apagar aquele fogo, s ele podia consumi-lo com os seus dedos e com a sua boca, s ele.
    - Patrina...
    Ela abriu os olhos e viu que ele estava to excitado quanto ela, que estava a devor-la com o olhar, que queria continuar.
    - Sim - concordou ela num sussurro. - Beije, beije.
    Com um sorriso de satisfao, Cole deslizou-lhe a calcinha pelas pernas. Para Patrina, foi como se estivesse despojando de algo muito intimo, da ltima defesa que lhe restava diante daquela fora da natureza que estava a subjug-la. Estava nua. Completamente nua diante dele. Mas no sentia medo nem vergonha. Apenas um desejo incontrolvel.
    Cole ajoelhou-se, separou-lhe as pernas gradualmente segurando-as com as mos e comeou a introduzir sua lngua dentro do sexo dela.
    As pernas de Patrina comearam a tremer e os pulmes deixaram de bombear oxignio. Ao olhar para baixo, viu a cabea de Cole mergulhada dentro dela, devorando-a, possuindo-a como ningum a tinha possudo at quele momento. A viso excitou-a ainda mais.
    Comeou a gemer, incessantemente. Tentou morder o lbio inferior para se conter, mas foi intil. Os gemidos estavam comeando a transformarem-se em gritos, gritos de prazer. Cada vez que a lngua dele entrava novamente dentro dela, um grito escapava de sua boca.
    - No pare, por favor, no pare - disse Patrina colocando as suas mos de ambos os lados da cabea de Cole para garantir que ele no se detivesse.
    Ento, todo o seu corpo comeou a tremer, a ser percorrido por intensas convulses que pareciam afast-la ou transport-la para um planeta diferente, para um tempo diferente. O mundo desapareceu, afundou-se sob os seus ps e desfez-se num orgasmo como nunca teve em toda a sua vida.
    E, ento, precisamente quando acreditava que no era possvel mais nada, sentiu que ele a agarrava em seus braos.
    - Espere, sou muito pesada...
    - No pesa nada - replicou Cole.
    Patrina mergulhou o seu rosto entre os msculos do peito dele.
    No sabia para onde estava levando-a, mas no se importava minimamente.
    Em poucos segundos, sentiu a suavidade dos lenis nas suas costas e percebeu onde estava. Cole estava retirando-lhe os sapatos, a calcinha e a cala, que estavam enroladas aos seus ps.
    Em poucos segundos, jazia nua sobre a cama de seu quarto.
    Depois, Cole beijou-a suavemente, cobriu-a com os lenis, olhou ao seu redor como se estivesse observando se estava tudo em ordem e olhou para ela com doura, o que escondia uma paixo contida.
    - Boa noite, Patrina. Durma bem.
    Patrina no disse nada. Estava frgil demais para faz-lo.
    Nua, com o corpo alterado, viu-o abrir a porta do quarto e desaparecer atrs dela.
    
    Assim que fechou a porta, Cole apoiou-se na parede prestes a desmaiar e ofegou.
    Tinha empregado toda a sua capacidade de autocontrole para poder deixar Patrina na cama, nua, olhando para ele inundada de desejo. Nunca, em toda a sua vida, tinha sentido algo semelhante por uma mulher.
    Ela possua alguma coisa que despertava os seus instintos mais primrios, instintos que sempre conseguiu controlar. Mas com ela era incapaz de manter o controle. Dera-lhe o primeiro beijo e ficara aprisionado numa obsessiva espiral.
    Saboreou os seus lbios, os seus seios, todo o seu corpo, mas no era o suficiente. Queria met-la na cama e faz-la sua.
    Possu-la.
    Sabendo que se permanecesse ali, acabaria por voltar a entrar no quarto dela, Cole foi  cozinha para beber um pouco de caf que ela fizera antes.
    Instantes depois, olhando pela janela da cozinha enquanto bebia o caf, Cole recordou o que tinha dito a Patrina acerca da lua. Sempre teve uma predileo especial por astronomia, embora nunca tivesse tempo suficiente para se dedicar mais a ela. Por isso foi uma surpresa gratificante saber que um primo dele era astrnomo.
    Aquilo o levou a pensar nos primos, nos onze primos homens e na facilidade com que o seu irmo Clint e ele haviam se integrado a eles. Lembrou-se da reao do primeiro deles, Quade, ao descobrir que a pessoa que averiguava para Cole e Clint, no era apenas um tio de Quade, mas o pai biolgico dos dois irmos. Depois, ao chegarem a Bozeman, em Montana,  procura de Corey, haviam conhecido Durango e Stone.
    Bozeman.
    Era uma cidade bonita, mas pequena demais. Era uma cidade onde todos se conheciam, onde as notcias corriam rapidamente. Uma cidade assim poderia arruinar a reputao de Patrina se chegassem a saber que ele tinha passado aqueles dias com ela. Por isso  que Cole lhe dissera que no queria que ningum soubesse que tinha passado a tempestade na casa dela. Ela era adulta, dona dos seus atos e decises, mas era melhor no se arriscar.
    Cole virou as costas  janela e dirigiu-se  mesa para se servir de mais caf. J era tarde, mas no tinha sono. S de pensar que Patrina estava dormindo no quarto ao lado ficava excitado.
    E uma ducha fria?
    Pousou a xcara de caf em cima da bancada da cozinha, decidido a dirigir-se ao banheiro, quando viu Patrina  porta da cozinha.
    Ela tinha o cabelo solto, caindo sobre os ombros e cobrindo as alas de uma leve camisola azul clara.
    - No conseguia dormir - murmurou ela olhando para ele.
    Cole dirigiu-se a ela precavendo-se de no se aproximar demais. Estava muito excitado para conseguir controlar-se por mais tempo.
    - Quer um pouco de caf? - perguntou ele.
    - Caf no  o que eu quero. - respondeu ela sem se mexer.
    - E o que voc quer? - perguntou nervoso.
    - Voc. Eu quero voc. Preciso de voc, Cole.


    
    
    Patrina ficou observando-o, tentando saber o que Cole estava pensando.
    Custara-lhe dar aquele passo, as palavras foram as mais difceis que dissera em toda a sua vida. Mas uma fora estranha e poderosa tinha-a forado a isso.
    Queria mais.
    Precisava de mais.
    Embora Cole a tivesse falado repetidamente da paixo, aquela noite no fizera nada mais seno senti-la. Chegara a um mundo desconhecido, um mundo em que nunca esteve com Perry. A maneira como ele interpretava as suas necessidades, os seus desejos, as suas fantasias...
    No havia a menor dvida de que era um homem experiente, um homem com um dom para satisfazer as mulheres. E ela queria viv-lo, embora tivesse que ir embora no dia seguinte, embora nunca mais o voltasse a ver. Precisava dele.
    Todo o seu corpo precisava dele.
    - Tem certeza?
    - Certeza absoluta - respondeu sem desviar o olhar, tentando mostrar-lhe o que sentia com os olhos.
    Patrina deu um passo em direo a Cole e ele, com ardor, abriu os braos, atraiu-a para si e beijou-a.
    Foi sentir novamente os lbios dele roando os dela e perceber que ela pertencia quele lugar. Nenhum homem a possuiu daquela forma, os seus braos pareciam envolv-la por todo o lado; a boca dele a envolvia completamente.
    Deslizando uma mo pela camisola dela, Cole agarrou a pea e tirou-a pela cabea. Patrina ficou nua. Ento ela, puxando-o pela mo, conduziu-o  sala, onde ele tirou a cueca e ficou igualmente nu, deixando em evidncia a sua excitao, o seu membro ereto e ansioso.
    - Tem certeza absoluta disto?
     Patrina parecia agradecer-lhe com o olhar, mesmo estando os dois nus, desejando-se mutuamente, Cole estava dando-lhe a oportunidade de se deter.
    - Sim, tenho certeza, embora espero que entenda que no tenho tanta experincia como voc.
    - Gosto ainda mais disso.
    Agarrando-a entre os seus braos, Cole beijou-a suavemente, fazendo com que a boca dela se abrisse gradualmente, cada vez mais, at que comearam a devorar-se um ao outro, com as lnguas entrelaadas. Sem deixar de beij-la, levantou-a nos braos e levou-a lentamente para o quarto onde estava dormindo naqueles dois inacreditveis dias.
    Ao chegar perto da cama, Cole pousou-a no cho.
    Patrina percebeu que estava dando-lhe a ltima oportunidade. Sem hesitar ela tirou a colcha com um estico, meteu-se entre os lenis e, uma vez deitada, olhou para ele ansiosa. Cole estava completamente nu e com uma ereo fora do comum.
    O tempo de se sentir culpada por tudo quanto tinha a ver com Cole havia passado. Compreendera que era uma mulher como todas as outras, com desejos e necessidades. Quando, no dia seguinte ele partisse, teria que voltar a viver com as suas frustraes, escondendo a sua paixo. Mas naquela noite era dele, queria deixar toda a sua vida de lado e entregar-se a ele.
    Sem pressa, Cole entrou na cama pelo lado que Patrina lhe tinha deixado, uma cama enorme, suficiente para duas pessoas.
    Uma vez mais, ele abraou-a e comeou a beij-la, desta vez com mais fria, com mais urgncia.
    E Patrina estava ficando louca. Tudo o que ele fazia, parecia estar destinado a satisfaz-la, a derret-la.
    A mo de Cole comeou a descer pelo corpo dela at parar entre suas pernas. Os dedos comearam a acarici-la, a provoc-la. Patrina, como num reflexo, agarrou o pnis dele entre as mos e comeou a toc-lo. Estava duro, mais duro do que alguma vez imaginara. Sem saber o que estava fazendo nem como, comeou a massage-lo ritmicamente com uma facilidade surpreendente, como se tivesse feito isso durante toda a sua vida.
    Ento, deparou-se com os olhos de Cole e viu neles o que as suas carcias lhe estavam provocando.
    Cole separou as pernas dela com as mos e, colocando-se em cima dela, olhou para ela fixamente, avisando-a com o olhar do que estava prestes a acontecer.
    - Quero voc, Cole - gemeu Patrina sem controle.
    E ento ele fez.
    Penetrou-a. Entrou decisivamente dentro dela, fazendo com que todo o corpo de Patrina estremecesse. Comeou a mover-se cada vez mais rpido, fazendo com ela passasse as pernas ao redor dele enquanto sentia o cheiro dos seus corpos.
    E quando pensava que j no era mais possvel sentir prazer, as pernas dela comearam a tremer, o seu corpo a desfazer-se como se o estivessem partindo em dois e tudo explodiu numa frao de segundo, fazendo com que os milhares de pedaos em que se tinha desintegrado voltassem a recompor-se.
    Ofegando, Cole abraou-a e beijou-a apaixonadamente.
    E ela, alheia a qualquer outra coisa, fechou os olhos para sentir melhor os lbios dele.
    
    Cole abriu os olhos e perguntou-se quanto tempo teria passado.
    Tinham adormecido nos braos um do outro. O cheiro dela estava por todo o seu corpo, o quarto cheirava a sexo, os lbios dela estavam entreabertos, os lenis revirados...
    E no tinha usado preservativo!
    Como  que podia ter esquecido?
    Tinha vrios na sua mala.
    Era a primeira vez que lhe acontecia uma coisa dessas com uma mulher.
    Olhou para Patrina.
    Dormia pacificamente, com uma expresso de satisfao no seu rosto. Odiava ter que fazer, mas precisava despert-la.
    Tinha que lhe dizer.
    - Patrina - sussurrou.
    Depois de dizer varias vezes o nome dela, ela abriu os olhos lentamente e, sem lhe dar tempo para dizer o que fosse, passou-lhe os braos ao redor do pescoo e beijou-o.
    Cole comeou a sentir novamente aquela urgncia, o desejo renascendo no seu corpo e atirando-o para frente. Sem conseguir evitar, deitou-se sobre ela, abriu-lhe violentamente as pernas e penetrou-a completamente.
    Patrina rodeou-o com os braos e com as pernas, movendo-se ao ritmo do corpo dele, aceitando-o a cada penetrao, saboreando-o, recebendo-o como se fosse uma ddiva.
    Ento, Cole compreendeu que nunca poderia voltar a sentir uma excitao to intensa com ningum seno com ela, como se, enquanto Patrina gemia e gritava o seu nome, estivesse a marc-lo para sempre.
    
    - Parou de nevar.
    Patrina olhou pela janela e viu que Cole tinha razo. A tempestade no s tinha passado, como o sol comeava a aparecer timidamente por entre as nuvens.
    Ficou em silencio.
    Aquilo significava o fim.
    - Tenho que telefonar para a agncia de aluguel - disse ele como se lhe tivesse lido o pensamento. - preciso que levem o automvel e me tragam outro. E por favor, lembre-se do que disse ontem - acrescentou abraando-a. - ningum da minha famlia me espera to cedo. Prefiro que ningum saiba sobre isto. Quero que seja o nosso segredo.
    Patrina sabia que ele dizia para proteg-la, para salvaguardar a sua reputao, mas no era necessrio. Ia dizer-lhe isso quando ele a beijou, fazendo com que as palavras se desvanecessem e no seu lugar aparecesse de novo o desejo.
    Passaram toda a noite fazendo amor, adormecendo e despertando para voltar a comear. Mesmo que nunca mais voltasse a estar com outro homem em toda a sua vida, podia dar-se por satisfeita. Em apenas quarenta e oito horas deixou de ser uma mulher escondida dentro de um mundo frio e sombrio para experimentar uma paixo que nunca teria imaginado.
    - Patrina, ontem ns no usamos preservativo - disse Cole. - nem da primeira vez nem nas seguintes. Desculpe. No costumo esquecer-me destas coisas, efetivamente sinto muito. Quero que saiba que, se voc ficar grvida, eu assumo toda a responsabilidade.
    Patrina olhou para ele tranquilamente.
    Agradecia as palavras dele, mas no eram necessrias. Embora no fosse o melhor momento para ficar grvida, no tinha medo. Trouxe tantos bebs ao mundo, conheceu tantas mes, que compreendeu que poucas tiveram o filho no melhor momento das suas vidas. E, apesar disso, aqueles pequenos tinham-nas enchido de felicidade.
    - No se preocupe, Cole. Se eu ficar grvida, serei perfeitamente capaz de me encarregar do meu filho.
    - Do nosso filho - corrigiu ele. - Por favor, prometa-me que, se estiver, me dir.
    Patrina concordou para que ficasse tranquilo.
    Ele teria, logicamente, todo o direito de saber. Contudo, mesmo que lhe telefonasse para contar, no queria que ele se sentisse obrigado a nada. Ambos sabiam que agiram voluntariamente.
    - Tenho que ir.
    Cole levantou-se da cama e ela sups que ia tomar banho. Nua, com os lenis enrolados, inclinou-se sobre a mesinha e viu que eram dez horas da manh. Parecia um pouco mais tarde, j havia muita luz, e...
    - J que estou aqui - disse Cole metendo-se novamente na cama. - fui buscar isto - acrescentou mostrando-lhe uma caixa de preservativos.
    Patrina beijou-o carinhosamente pensando que, no fim das contas, ter um filho de Cole no era um erro.
    De fato, percebeu que uma parte dela desejava ter.
    Mas depois, Cole comeou a beij-la apaixonadamente e Patrina esqueceu-se de tudo.
    
    Cole meteu a ltima maleta no bagageiro do novo automvel que a agncia lhe enviara. O dia havia ficado completamente limpo.
    Patrina observava-o da porta de casa. Estava linda, embora Cole s fosse capaz de pensar nela nua, em todas as vezes que tinham feito amor.
    Cole fechou o bagageiro e aproximou-se dela. No queria ir embora, mas tinha que o fazer.
    Quando ficou junto dela, abraou-a e beijou-a como se fosse um soldado que ia para a guerra. Patrina respondeu-lhe com a paixo que punha em todas as coisas.
    Diabo.
    Ia sentir falta dela.
    Muita falta.
    - Est na hora de ir embora - disse Cole.
    - Desta vez conduzir com mais cuidado?
    - Se no o fizer, voc vir salvar-me?
    - Claro que sim - sorriu ela. - Vou salvar-lo em qualquer lugar da Terra, em qualquer lugar, Cole Westmoreland.
    Aquilo estava sendo muito mais difcil do que ele tinha esperado.
    - Espero ter sido um bom hspede.
    - O melhor, e eu espero ter sido uma boa mdica.
    - Excelente. Mas creio que na cama  ainda melhor. Quando nos virmos no aniversrio do meu pai, vai me custar muito no correr para voc e te despir diante de todos. Quase tanto como ir embora e no fazer amor com voc pela ltima vez.
    - E o que o impede de faz-lo?
    - Porque uma vez no seria o suficiente - respondeu ele. - Teria que fazer uma e outra vez, e no teria vontade de partir.
    Cole respirou profundamente.
    Custou-lhe muito dizer aquilo, mas era verdade.
    - Lembre-se um pouco de mim - disse lutando contra a tentao de abra-la, de entrar novamente naquela casa e ficar nela para sempre. - Agora  uma nova mulher. No volte a entrar naquele mundo sombrio em que estava.  uma mulher linda e apaixonada demais para faz-lo.
    Virando-se, Cole desceu as escadas do alpendre e entrou no carro sem olhar para trs.
    Arrancou e, enquanto se afastava, a viu de p  porta de casa.
    Sem dvida, Patrina era a mulher mais apaixonada que tinha conhecido.





    - Que surpresa! - exclamou Casey Westmoreland Quinn olhando para o seu irmo, que chegou algumas horas antes, do lado oposto da mesa. - E que sorte teve com o tempo. Se tivesse vindo alguns dias antes, teria encontrado uma terrvel tempestade. Toda a cidade ficou incomunicvel.
    - No deve ter sido muito divertido - disse Cole tentando fazer com que a sua voz sasse com naturalidade.
    - Bem, na verdade, no podemos nos queixar - disse McKinnon Quinn bebendo um pouco de caf da xcara de sua mulher.
    Cole sorriu. Ficou feliz por ambos, era evidente que se amavam de verdade. Mas, sobretudo, ficou feliz pela irm. Era uma mulher muito sensvel e romntica que sofreu muito ao descobrir que a sua me lhes mentiu a vida toda no que dizia respeito ao marido, melhor dizendo, ao pai de Cole, Clint e Casey. Vendo-os ali sentados, Cole agradeceu aos cus por sua irm ter voltado a acreditar no amor.
    Depois pensou no seu irmo Clint, que tinha se casado h pouco tempo com Alyssa. Eles tambm pareciam muito apaixonados, coisa que enchia Cole de felicidade.
    No entanto, no que dizia respeito a ele, continuava pensando que o amor e o casamento no eram para ele. Quando pensava no futuro, via-se como o tio Sid, eternamente solteiro. E algumas pessoas eram mais felizes sozinhas. Amava a liberdade que possuia para ficar sozinho, no ter que ser responsvel por ningum nem ter que prestar contas a ningum. Amava as mulheres, mas preferia manter-se com aventuras ocasionais. Nada mais.
     Os seus pensamentos levaram-no a Patrina, aos dois dias que passaram juntos. Felicitava-se de no ter dito a ningum. E, embora houvesse a possibilidade de que estivesse grvida, decidiu no pensar nisso antes do tempo.
    Entretanto, o tempo que haviam passado juntos continuaria a ser um segredo entre os dois e de mais ningum. E, sobretudo, Casey no deveria saber. Era demasiado romntica para compreender o que aconteceu entre ele e Patrina. Alm disso, dada a opinio que a irm possuia dele em relao s mulheres, era melhor no dizer.
    - Quer mais caf, Cole? - perguntou Casey tirando-o dos seus pensamentos.
    - No, obrigado. Estou cheio. O jantar estava delicioso.
    - Obrigado.
    - Bem, como vo os preparativos para a festa de aniversario?
    - Muito bem - respondeu Casey. - Vai adorar, vai ver. Alis, no consigo esperar para ligar para o pai e dizer-lhe que est aqui.
    Desde que Corey Westmoreland descobriu que era pai dos trs, no mediu esforos para estabelecer uma boa relao com Cole, o seu primognito.
    - H uma coisa que McKinnon e eu queremos dizer-lhe. J dissemos ao papai,  Abby e aos pais do McKinnon. Pensei em dizer a voc e ao Clint na festa.
    - O que ? - perguntou Cole morto de curiosidade.
    Casey e McKinnon trocaram sorrisos de cumplicidade.
    - Vamos adotar um beb. - disseram ao mesmo tempo.
    - Fantstico! - exclamou Cole. - Parabns!
     Sabia o quanto ambos desejavam ter filhos e formar uma famlia, principalmente depois de ter sido diagnosticado um problema congnito em McKinnon que o impedia de ser pai.
    - Obrigado - sorriu Casey. - mas vai ter que dar os parabns  doutora Patrina Foreman.
    -  doutora Foreman? - perguntou Cole tentando que ningum percebesse a sua surpresa.
    - Sim, foi a mdica que trouxe ao mundo a pequena Sarah. Administra uma clnica na cidade. H alguns meses, passou pela sua consulta uma adolescente grvida que no pode cuidar do beb. Foi l para entreg-lo a adoo quando nascesse, mas queria certificar-se de que os pais seriam os adequados. Patrina ligou-nos imediatamente, tivemos uma conversa com a menina e nos entendemos perfeitamente bem. E os papis j esto todos assinados. Teremos o beb poucas horas depois do seu nascimento.
    - Quando ser?
    - No ms que vem.
    - Uau, isso  que  uma grande notcia! - disse Cole. - Ficaro agradecidos  doutora Foreman...
    -  uma pessoa maravilhosa - continuou a sua irm - admira-me que no a tenha conhecido na festa do ano passado. Foi nomeada para os prmios Eve que daro aqui em Bozeman. O vencedor ser nomeado no fim do ano numa grande cerimnia.
    - Os prmios Eve?
    - Sim, so os prmios que do s mulheres que mais contriburam para a comunidade. Com todo o trabalho voluntrio que faz todos os dias, Patrina merece-o. O seu marido, que era o chefe de polcia daqui, morreu a alguns anos no cumprimento do dever. Creio que ela, vivendo sozinha naquela casa to isolada e com tanto tempo livre, decidiu dedicar-se a ajudar os outros.
    Cole bebeu um pouco de caf tentando no pensar em Patrina, no quanto devia sentir-se sozinha na sua casa, nos dias que tinham passado juntos, na cara de felicidade com que tinha olhado para ele enquanto o seu cabelo era iluminado pelos primeiros raios da manh depois de ter passado toda a noite fazendo amor.
    Decidiu, por sua vez, que era o momento ideal para que a sua irm soubesse das boas notcias. Foi algo que no disse a Patrina porque, no fim de contas, nenhum dos dois procurava uma relao sria.
    - Tenho boas notcias - comeou Cole. - deixei de ser um ranger. Segui os passos de Clint e pedi demisso - acrescentou observando o rosto da irm.
    No parecia surpreendida. Ela, mais do que ningum, sabia que sempre tinha levado a srio aquela profisso.
    - Isso  extraordinrio, Cole - disse Casey. - O que vai fazer agora?
    - Decidi investir o dinheiro que ganhei ao vender a minha parte do rancho a Clint. Vou reunir-me com Serena Preston na prxima semana. Est precisando de dinheiro para lanar um servio de helicpteros. Quade vai aventurar-se comigo. Queremos abrir vrias sedes por todo o pas. De fato, estamos em conversaes com Rico Clairbone para que se junte a ns.
    Rico era um reconhecido detetive privado. A sua irm Jssica casou-se com um primo de Cole, Chase, e a outra irm de Rico, Savannah, era casada com Durango. Com aqueles laos, Rico era como mais um membro da famlia.
    - Uau, vai ficar muito ocupado.
    - Espero que sim. - disse Cole.
    Mas a verdadeira razo era que se trabalhasse muito, ajudaria a esquecer Patrina. Cus, sentia falta dela.
    Cole encostou-se nas costas da cadeira e recordou Patrina novamente, de p  porta de sua casa, enquanto o sol iluminava o rosto dela e o desejo o consumia por dentro. Tinha que deixar de pensar nela.
    Aquilo no o levava a nenhum lugar.
    - Quanto tempo vai ficar conosco at subir a montanha para ver nosso pai? - perguntou a sua irm.
    - Ainda no decidi. Provavelmente, uns dois dias. Espero que no seja um incmodo para vocs, no quero...
    - No diga tolice - interrompeu-o McKinnon. -  timo t-lo aqui. Alm disso, quero mostrar os cavalos que Clint nos enviou. So incrveis.
    
    Naquela noite, depois das nove, Cole estendido na cama, no conseguia faze outra coisa seno pensar em Patrina e na noite que partilharam.
    Incapaz de lutar contra a tristeza, fechou os olhos e deixou que as recordaes o invadissem. A sua cabea encheu-se de imagens dos dois beijando-se, abraando-se, fazendo amor durante horas, desejando-se cada vez mais.
    Era improvvel que suas vidas voltassem a se cruzar com tanta intensidade.
    Por que ento no conseguia esquec-la?
    Por que no conseguia deixar de pensar nela?
    Talvez passando alguns dias com o pai na montanha, isolado de todos, o ajudasse a conseguir.
    Estava perdido naqueles pensamentos quando, de repente, o seu telefone mvel tocou.
    - Sim? - respondeu impaciente.
    - Cole, sou eu, Quade. Est em Montana?
    - Sim, na casa da Casey e do McKinnon. Cheguei esta manh. - disse Cole, e no fundo, era quase verdade.
    - Vou apanhar um avio em Washington no fim da semana para me reunir com vocs. Sabe alguma coisa do Rico?
    - No, mas o McKinnon disse que est por aqui visitando Durango e Savannah. Parece que houve uma tempestade que manteve toda a cidade isolada.
    - Talvez devssemos pensar bem em todo este projeto dos helicpteros. Com o tempo que costuma fazer por a, muitos dias no poderemos sair.
    - Sim, mas pense no dinheiro que podemos ganhar quando o fizermos - disse Cole, que estudou aquele negcio a fundo e tinha certeza absoluta de que seria um xito. - Vai superar.
    - Lembrarei a voc essas palavras quando estivermos a trinta graus abaixo de zero, reunidos diante de uma lareira e  espera de que esquente para poder voar - brincou Quade.
    Continuaram conversando durante alguns minutos. Cole abenoou seu primo em segredo por ter ligado, pois manter-se ocupado pensando em coisas ajudava-o a no pensar nela.
    Mas, quando Quade desligou, tudo regressou com mais fora.
    Esperava-o uma noite muito longa.
    
    Eram mais de onze horas e Patrina continuava dando voltas na cama sem conseguir dormir.
    Tentou manter-se ocupada durante todo o dia para no pensar. Mas, ao chegar  noite, as recordaes se apoderaram dela.
    Recordaes que s tinham um nome.
    Cole.
    Cada vez que tentou fechar os olhos, deparou-se com ele a beij-la, enchendo-a do prazer mais intenso que sentiu em sua vida, fazendo com que se esquecesse de tudo, possuindo-a completamente.
    Nervosa, levantou da cama e olhou pela janela. Ali estava a lua, a lua da qual Cole lhe tinha falado.
    "As luas de Abril so smbolo de fertilidade. Convidam-nos a libertar os nossos desejos".
    Inconscientemente, Patrina levou a mo ao ventre.
    Smbolo de fertilidade.
    Libertar os nossos desejos.
    Teria o destino querido uni-la a Cole para conceber uma criana?
    Se realmente estava grvida, a estranha profecia de Cole seria efetivamente verdadeira e haviam libertado os seus desejos para gerar um filho. Ainda que, na realidade, esse filho no fosse fruto do amor, mas sim do desejo.
    Os olhos de Patrina encheram-se de lgrimas ao recordar o ms em que ocorreu a morte do seu marido.
    Quantas vezes ela lamentou no ter ficado grvida dele antes? Se o tivesse feito, pelo menos, uma parte dele teria sobrevivido.
    Patrina fechou os olhos, mas no foi o rosto de Perry que apareceu e sim o de Cole.
    Mordendo o lbio inferior, lembrou-se da promessa que fez a si mesma de no voltar a ter nada com um agente da lei. Estava determinada a cumpri-la. No caso de acontecer a Cole o mesmo que aconteceu ao seu marido, nunca conseguiria superar.
    Abrindo os olhos, olhou para a lua e jurou a si prpria que no permitiria que Cole magoasse o seu corao.
    




    - Por que raios nos encarregaram disto? - perguntou Cole ao seu primo Quade com a lista de compras na mo enquanto saiam do carro.
    - Porque  o dia de folga de Henrietta - disse o primo encaminhando-se para o supermercado. - Alm disso, no fomos to espertos como McKinnon, que esquivou-se quando percebeu tudo. Vamos, Casey  sua irm - acrescentou entrando pela porta, - mais cedo ou mais tarde amos ter que contribuir.
    - Eu sei, mas no quero nada - queixou-se Cole pegando um carrinho e revendo a lista.
    - Olhe, aquela no  Patrina Foreman? A que est na seo de congelados?
    Cole olhou na direo que Quade o indicava.
    Realmente, era ela.
    Estava de costas, mas podia t-la reconhecido a quilmetros de distncia.
    O seu corpo reagiu no ato, como se ela tivesse um m que o atrasse, como se no tivesse passado uma semana desde a ltima vez que se falaram, como se...
    - Ei? Aconteceu alguma coisa? - perguntou Quade.
    Cole olhou para ele aborrecido, como se o tivessem apanhado desprevenido.
    - Nada, por que? - disse Cole para disfarar.
    - Porque j pedi trs vezes que me lesses a lista e voc no me deu ateno. Ficou abobalhado olhando para Patrina - disse Quade sorrindo. - O que h? Est interessado naquela mulher?
    - No. - respondeu Cole forado.
    - Essa negativa soa-me mais a evasiva do que outra coisa.
    Mas Cole no estava ouvindo-o.
    Estava avanando para ela.
    Como se fosse uma fora misteriosa que o impelisse.
    - No vejo nada da seo de congelados na lista - disse Quade.
    Cole virou-se para responder ao seu primo e quase derrubou uma prateleira inteira.
    - Olha por onde vai - brincou o primo.
    Ia a responder-lhe com uma frase que resolvia o assunto quando, de repente, Patrina se virou.
    - Ol, Patrina - disse Cole.
    Pela expresso no rosto dela, parecia to surpreendida quanto ele.
    Seria bom ou mau?
    Teria passado aquelas noites acordada como ele?
    Estava a menos de cinco metros de distncia, mas conseguia distinguir o perfume dela entre todos os cheiros do lugar. Usava uma bata larga e comprida de mdica e uma cala escura. At com aquele uniforme era incrivelmente atraente...
    - Ol, Cole - disse ela. - Ol, Quade - acrescentou desviando o olhar em seguida para o primo dele.
    - Trina, como vai? - perguntou Quade olhando para os dois. - Ora, no sabia que se conheciam.
    - Sim, foi na festa da Casey no ano passado.
    - Ah, j me lembro - disse Quade insinuando que acreditava completamente.
    - Por que no vai dar uma volta e comea a procurar as coisas da lista? - pediu Cole ao primo.
    - Claro - concordou ele. - Trina, vai  festa de aniversrio do tio Corey este fim de semana?
    - Sim, pensei ir l durante um tempo.
    - Fantstico. - disse Quade. - Vemo-nos l. Tchau.
    - Tchau, Quade.
    Quando ficaram sozinhos, Cole sentiu como se a atrao entre ambos voltasse a aparecer. At o ar parecia ter mudado.
    - Estive falando com a Casey na semana passada - comeou Patrina. - disse-me que havia chegado de surpresa e que estava passando alguns dias na montanha com Corey.
    - Sim, estive l durante alguns dias. Como est, Patrina?
    - Estou bem - respondeu ela olhando para ele intensamente.
    - Tem alguma coisa para me dizer? - perguntou Cole suavemente, esperando que Patrina percebesse o que queria dizer.
    - No - respondeu ela imediatamente.
    O que teria querido ela dizer? Que ainda era muito cedo para saber ou que j tinha a certeza que no estava grvida?
    - Como voc est, Cole?
    - Quer saber a verdade? - perguntou ele quase a sussurrar.
    - No, no aqui.
    - Concordo. Onde? Diga-me onde.
    Patrina passou a lngua pelos lbios para umedec-los e Cole, ao ver, sentiu uma corrente eltrica por todo o seu corpo.
    No sabia o efeito que provocava nele coisas como aquela? No conseguia manter a lngua dentro da boca? Estava ficando louco. Patrina teria percebido como ele estava? Para ele era bvio. Quade teria percebido?
    Ao no receber nenhuma resposta de Patrina, Cole abriu a porta de um dos armrios de congelados, e agarrando um saco para disfarar, aproximou-se dela.
    - Desejo-te.
    Sentiu que ela estremecia. No podia ser pelo frio emitido pelo armrio que acabava de abrir. Foram as suas palavras. No havia a menor dvida.
    - J teve o que queria.
    - Quero estar com voc outra vez.
    E para ter a certeza de que ela o tinha entendido bem, fechou a porta e olhou para ela nos olhos.
    - Desejo-te, Patrina. Quero voltar a estar com voc.
    Patrina percebeu a determinao nos olhos de Cole. Ela tambm o desejava, desejava-o desesperadamente, mas ia cumprir o que tinha prometido a si prpria, tinha a certeza do que devia fazer.
    No lamentava nada do que tinha acontecido entre eles, mas no podia deixar que voltasse a se repetir. Esteve toda a semana sem dormir, pensando nele durante todas as horas. Se o deixasse entrar na sua vida, o que seria dela quando Cole regressasse ao Texas?
    No podia obcecar-se por ele. A maioria dos homens eram capazes de substituir uma mulher por outra com muita facilidade, mas ela era incapaz.
    O seu corpo desejava-o ele. S a ele.
    - Patrina?
    Tinha que ser forte. Devia ignorar aqueles sinais de emergncia que o seu corpo lhe enviava e enfrentar a situao prudentemente.
    - No, no creio que seja uma boa idia - disse por fim em voz baixa para que ningum a ouvisse.
    Pronto, j o tinha dito. Tinha conseguido. S lhe restava sair dali a seguir, sob qualquer pretexto.
    - Uau! J  tarde! - exclamou olhando para o seu relgio. - Tenho que ir embora, Cole. Foi um prazer ter falado com voc. D meus cumprimentos  Casey e McKinnon.
    E, sem olhar para ele, agarrou no seu carrinho e afastou-se rapidamente, deixando Cole na seo de congelados. Encaminhou-se para a caixa registradora sentindo o olhar quente de Cole nas suas costas. Alguma coisa no seu interior estava pedindo-lhe que desse a volta, que fosse para junto dele e o convidasse para passar a noite com ela. Mas no devia fazer.
    Uma vez que a empregada separou e introduziu as compras em vrios sacos, Patrina virou-se.
    Cole j no estava l.
    Mas algo lhe dizia que voltaria a v-lo. Que Cole Westmoreland era um homem que conseguia sempre o que queria.
    - Bem, vai me contar o que se passa entre vocs dois?
    - Por que tem que se passar algo? - disse Cole colocando a chave no contato do carro e arrancando com o veiculo.
    - Esqueceu que passei vrios anos trabalhando para a CIA? Estou habituado a ver coisas que para outras pessoas no so importantes. Alm disso, a temperatura entre vocs era to alta que por algum tempo tive medo pelos pobres sacos de congelados.
    - Acredito que est a imaginando coisas demais.
    - Prefiro que me diga que no  assunto meu do que insulte a minha inteligncia.
    Ao chegar ao primeiro semforo vermelho, Cole deteve o carro e olhou para o primo. Quade tinha trinta e quatro anos, dois a mais do que ele, e foi a primeira pessoa que Clint e ele tinham corrido em busca do pai de ambos. Naquela altura, Quade vivia em Austin e, embora a princpio tivesse estranhado o interesse de Cole e Clint pelo seu tio Corey, ao ouvir as suspeitas tinha-se lanado para ajud-los. Tinha sido ele quem os tinha apresentado a Corey Westmoreland, o pai que sempre tinham dado como morto. Depois daquilo, os trs tinham estabelecido uma relao que ia mais alm da familiar.
    No estava disposto a contar-lhe toda a verdade, mas, pelo menos, j que o seu primo suspeitava de algo, podia contar-lhe alguma coisa, o suficiente para que ficasse satisfeito.
    - Patrina e eu nos sentimos atrados um pelo outro - disse arrancando novamente quando o sinal mudou para verde. - percebemos desde a festa de Casey no ano passado.
    - Conte-me algo que eu no saiba - respondeu-lhe Quade.
    - No quer ter nada a ver com nenhum agente da lei.
    - A ltima vez que falei coma Trina, disse-me que no queria ter nada a ver com nenhum homem, fosse agente da lei ou no.
    Cole lanou ao primo um olhar glido.
    - Quer fazer o favor de olhar para frente? - pediu-lhe Quade. - Trina e eu somos apenas amigos. Sempre foi assim. Conheo-a desde que ramos crianas. Via-a todos os veres na casa do tio Corey. Juntvamo-nos todos, o irmo dela, Dale, o McKinnon, ela e eu.
    Cole pensou nos veres que ele, Clint e Casey tinham perdido, veres longe dos primos, do pai, de toda a famlia, pela mentira que a me lhes tinha contado.
    - Por que no lhe disse que no  ranger? - perguntou o seu primo.
    - Por que o que eu fao ou deixe de fazer para viver no deveria importar.
    - Importa, e voc sabe. No consegue entender que ela rejeite esse tipo de profisso depois do que aconteceu com o marido?
    - No, no entendo. Aconteceu h mais de trs anos. Devia seguir em frente com a sua vida.  uma mulher especial com muito a oferecer. Mas empenha-se em se manter afastada de qualquer homem que se aproxime dela.
    - E o que te importa? Sente mais alguma coisa alm de uma intensa atrao?
    Cole no gostou nada da insinuao do primo. Podia ser o primeiro a admitir que, enquanto estiveram fazendo amor, acreditou ter sentido coisas por ela que nunca tinha sentido com nenhuma outra mulher. Estava disposto a aceitar, at, que desde ento no conseguiu deixar de pensar nela, de recordar cada um dos minutos que passou debaixo do teto da casa dela. Mas o que significava tudo aquilo?
    - Cole?
    - No  mais do que atrao fsica - respondeu. - Nada mais. No estou  procura de uma relao sria nem nada que se parea, j me conhece. Gosto de ser um solitrio. Nunca planejei casar-me nem nada desse estilo.
    - Comigo passa-se o mesmo. A no ser que...
    - A no ser que o qu? - perguntou Cole surpreendido parando noutro sinal vermelho.
    - A no ser que voltasse a me encontrar com uma mulher que conheci no Egito h alguns meses - confessou Quade. - Estive l durante alguns dias antes da visita do presidente. Uma noite que no conseguia dormir, desci para dar um passeio pela praia e a conheci.
    - Uma egpcia?
    - No, norte-americana.
    No era preciso dizer mais nada. Era evidente que a mulher e o seu primo dormiram juntos naquela noite.
    - Pediu-lhe o nmero do telefone? - perguntou Cole tentando ser o mais discreto possvel.
    - Quando acordei na manh seguinte, ela j tinha ido embora, o presidente chegava precisamente nesse dia, ento, no tive tempo para procurar. Mas posso dizer que nunca, enquanto viver poderei esquec-la.
    Cole concordou levemente. Sabia perfeitamente o que Quade queria dizer. Ele tambm nunca poderia esquecer o que tinha vivido com Patrina.
    A conversa com o seu primo tinha-o decidido. No podia deixar que as coisas terminassem assim. Tinha que ir v-la.
    Tinha-o recusado no supermercado, mas no voltaria a faz-lo.
    Tinha que tentar.
    
    Patrina parou no semforo e, olhando pelo espelho retrovisor, passou a mo pelo pescoo num gesto de desanimo.
    Esteve trabalhando todo o dia sem descanso. Primeiro oito horas no seu consultrio, depois outras oito na clnica. No pretendia passar l tanto tempo, mas no tinha escolha. Vrias mulheres foram em urgncia. A clnica estava com tanta falta de recursos que s o esforo de todos os voluntrios podia compensar.
    No entanto, foi um alivio manter-se ocupada. Ajudou a no pensar nele. Enquanto esperava que o sinal mudasse para o verde novamente, o rosto de Cole no supermercado introduziu-se sem permisso na sua mente.
    Encontrar-se ali com ele foi uma incrvel casualidade. Foi ao supermercado para ajudar a senhora Charles. A pobre mulher, que fora amiga intima da sua av, estava sozinha com oitenta anos, sem que ningum se encarregasse dela. Sempre que podia, Patrina ajudava-a.
    Por que as coisas tinham que ser to complicadas? Por que teve que se encontrar com ele? Teve que empregar toda a sua fora de vontade para se negar aos desejos de Cole. Embora, na realidade, tambm eram os dela.
    Respondeu  pergunta dele sobre a possvel gravidez com toda a sinceridade. Talvez na semana seguinte comeasse a sentir as primeiras nuseas...
    Patrina inclinou-se sobre o banco do passageiro, abriu o porta luvas, tirou um disco e colocou-o para tocar. Um pouco de Miles Jaye e a sua voz quente ajudaria a tranquiliz-la.
    Pouco depois, quando ainda faltavam vrios quilmetros para chegar em casa, mudou de msica. Miles estava a relaxando-a demais. Alm disso, lembrava-lhe as incontveis noites que passou sozinha em sua casa, ansiando pelo abrao de um homem. Por que aquelas canes que ouviu tantas vezes a faziam pensar em Cole, na noite que tinham passado juntos fazendo amor?
    Estava to perdida em seus pensamentos que demorou a perceber, ao estacionar diante de sua casa, que havia um automvel perto do seu com as luzes apagadas.
    Ao ilumin-lo com as suas, Patrina reconheceu o automvel que Cole tinha alugado.
    O corao dela saltou.
    O que ele fazia ali  meia noite?
    Ento, lembrou-se das palavras que ele lhe tinha dito no supermercado.
    "Desejo-te, Patrina. Quero voltar a estar com voc".
    Inclinou-se no banco sentindo que o cinto de segurana a oprimia. Queria libertar-se. Precisava.
    Na escurido, Patrina distinguiu Cole saindo do seu automvel, fechando a porta e apoiando-se como se estivesse  espera dela.
    Como ia proceder?
    Ia ficar a noite toda metida no seu automvel?
    O que ia fazer com o fogo que sentia pelo corpo todo, com o vulco que aguardava entre as suas pernas ao qual ele extinguira?
    Tirando a chave do contato, Patrina agarrou a bolsa e abriu a porta do carro. Em seguida, Cole aproximou-se dela e ofereceu-lhe a mo para ajud-la a sair.
    - O que est fazendo aqui? - perguntou Patrina pensando que devia estar um desastre depois de ter trabalhado todo o dia.
    - Esta manh no podemos terminar de falar. Pensei que seria boa idia passar por aqui.
    - Pois pensou mal. Trabalhei desde as seis da manh, e...
    - Por que?
    - Como por qu?
    - Por que chegou em casa to tarde?
    - No que voc tenha alguma coisa a ver com isso, mas estive atendendo pacientes no consultrio e depois fui para a clnica por mais oito horas. Quando nos encontramos no supermercado esta manh, foi porque fui comprar algumas coisas para Lila Charles. Era uma boa amiga da minha av e agora est sozinha na vida. No tem ningum,  idosa.
    Cole continuava com a mo estendida para ajud-la a sair do carro. Convencida de que no a comprometeria em nada, Patrina estendeu a sua para agarrar na mo de Cole.
    Mas, quando a sua pele roou a dele, tudo mudou. O seu corpo comeou a tremer, os olhos olharam-no com desejo, o corao comeou a bater violentamente.
    - Estou cansada - murmurou ela.
    - Claro que est, corao - sussurrou ele carinhosamente.
    Estava tentando digerir a forma que ele tinha utilizado para se referir a ela quando, sem lhe dar tempo, Cole atraiu-a para ele, passou-lhe a mo pelo pescoo e beijou-a.
    O cansao que a tinha martirizado durante a viagem de regresso desapareceu de repente. A nica coisa que sabia era que ele a beijava, que os seus lbios continuavam provocando nela um monte de emoes desenfreadas.
    E, enquanto estava se deleitando com a sua lngua, Cole agarrou-a nos braos e fechou a porta do carro com um safano.
    - Ponha-me no cho, por favor, sou muito pesada.
    - J disse que  mentira, no pesa nada - sorriu ele docemente.
    Exausta pelo cansao e pelo efeito do beijo, Patrina desistiu de lutar e mergulhou o rosto no peito de Cole.
    - Patrina, abra a porta, por favor.
    Procurando na sua bolsa, conseguiu tirar a chave, introduziu-a na fechadura e abriu a porta. Imediatamente, o calor da casa encheu-a de segurana e tranquilidade.
    Cole entrou e em vez de solt-la, dirigiu-se ao quarto dela.
    - Espere um momento. Acha que pode entrar em minha casa, levar-me para a cama e deitar-se comigo?
    - No estou aqui para isso, Patrina - disse estendendo-a na cama. - vim para falar com voc, mas est muito cansada, sendo assim, mudarei os planos e farei outra coisa por voc.
    Cole entrou no banheiro e, em poucos segundos, Patrina ouviu o barulho da gua.
    - O banho ficar pronto rapidamente - disse ele da porta do banheiro. - dou-lhe cinco minutos para tirar a roupa. Se eu voltar e voc continuar vestida, eu prprio farei as honras - acrescentou desaparecendo de novo no banheiro.
    Patrina ficou perplexa.
    Mas depois, percebeu que nenhum homem fez algo parecido por ela, preparar-lhe um banho e ordenar-lhe para que se despisse.
    Porque no aproveitar? Apressando-se, tirou a roupa e vestiu um robe.
    Estava atando o n  cintura quando Cole entrou de novo e viu a roupa dela estendida sobre a cama.
    - preparada?
    - sim.
    Aproximando-se dela, Cole voltou a agarr-la nos braos, virou-se e entrou no banheiro.
    - Se continuar fazendo estas coisas, vai acabar magoado.
    - no se preocupe.
    Sem lhe dar tempo, Cole depositou-a suavemente dentro da banheira e ao mesmo tempo, tirou-lhe o robe. Patrina sentiu a gua quente em sua pele e suspirou de felicidade. O robe tinha se molhado, Cole usou muitos sais, mas no importava. Aquele era um momento nico.
    - Quando quiser sair, avise-me.
    - Eu posso sair sozinha - disse olhando para ele.
    - J sei que pode, s peo que me avise para poder te ajudar.
    Quando Cole saiu, Patrina fechou os olhos. Apreciaria o banho durante um longo tempo, secar-se-ia e sairia por si prpria, sem lhe dizer nada. Mas para isso, precisava descansar.
    
    J tinha passado um longo tempo, e Patrina no saia. Cole tinha arrumado um pouco o quarto, sentindo o perfume dela por todo o lado. Tentando no se distrair, abriu a porta do banheiro e viu que ela tinha adormecido.
    Agarrando uma toalha, aproximou-se dela, levantou-a suavemente, e agarrou-a nos braos e vestiu-a docemente.
    - No, Cole - murmurou ela ao acordar. - posso fazer sozinha. No  preciso que voc...
    - Eu sei, corao. Mas deixe-me ajudar, embora seja apenas por esta noite, est bem? - disse ele suavemente.
    Patrina pareceu tranquilizar-se.
    Enquanto lhe secava o cabelo, Cole perguntou-se se seria muito habitual que trabalhasse tanto. Recordou o que a irm lhe disse acerca do trabalho de Patrina pela comunidade, e a sua nomeao para os prmios Eve. Era evidente que merecia aquele prmio. Mas, se algum no se preocupasse com ela, mais cedo ou mais tarde acabaria por desmaiar de esgotamento.
    Cole levantou-a e comeou a secar-lhe o corpo. Ao chegar aos seios, Patrina tapou-os com as mos num gesto instintivo.
    - Vamos, corao, depois da noite que passamos, vais cobrir-se?
    Patrina ouviu-o e Cole comeou a secar com a toalha cada canto do seu corpo. Embora j conhecesse o corpo dela, aquilo no fazia com que a sua excitao no aumentasse pouco a pouco. Queria tirar a toalha e sec-la com as prprias mos.
    De repente, Cole recordou a razo da sua presena ali e, enquanto lhe secava de joelhos as pernas, estendeu uma mo para lhe tocar o ventre.
    -  muito cedo, juro que, assim que eu souber de alguma coisa, ser o primeiro a saber.
    Cole concordou satisfeito.
    J seca, Cole voltou a agarr-la nos braos e sentou-a aos ps da cama.
    - Gostou do banho? - perguntou-lhe, preparando os lenis.
    - Muito obrigada.
    - De nada, corao. Vamos, j est pronta. Patrina obedeceu e meteu-se na cama. - H mais alguma coisa que possa fazer por voc?
    - j fez o suficiente.
    Pegando da mesa de cabeceira o livro que Patrina comeou a ler durante os dias em que tinham estado juntos, Cole sentou-se na cadeira junto a ela.
    - No vai embora?
    - No at que adormea.
    - Onde  que disse  sua irm que ia nesta noite?  quase uma da manh.
    - Acha que estou na casa do Durango jogando cartas com ele e com Quade.
    - E se der por...?
    - No se preocupe - interrompeu-a ele delicadamente. - No descobrir. Alm disso, o que importa se o fizer?
    - Nada. Manter isto em segredo foi idia sua, no minha. Alm disso, se ficar grvida, todos querero saber como aconteceu.
    - No se preocupe com nada. Est tudo sob controle.
    Patrina mexeu-se na cama, abraou-se  almofada e fechou os olhos. Cole ficou ali a observando da cadeira, desejando deitar-se com ela, abra-la, beij-la e faz-la sua novamente durante toda a noite.
    E, ento percebeu que havia algo mais dentro dele alm da atrao.
    O que era aquilo? O que significavam aquelas emoes que estava sentindo?
    No era possvel...
    Cole observou-a e comprovou pela respirao dela que adormecera. Era hora de ir embora, mas era incapaz de se mover daquela cadeira. No conseguia deixar de olh-la. Mas, quanto mais a olhava, aquelas estranhas emoes ficavam cada vez mais evidentes.
    E ele no gostava. No gostava do que lhe estava acontecendo.





    - Bom dia, doutora Foreman.
    Patrina sorriu para Tammie Rodhes, a pequena recepcionista do seu consultrio, que com apenas vinte anos, trabalhava o dia inteiro para poder pagar os seus estudos noturnos na universidade.
    - Bom dia, Tammie. Como est nesta manh?
    - Muito bem, obrigada. Hoje tem uma agenda muito cheia. Alm disso, o marido de Ellen Cranston ligou. Diz que ela est comeando a sentir as dores.
    - Tem certeza de que no  outra coisa? - perguntou Patrina enquanto vestia a bata branca.
    O parto de Ellen Cranston estava programado para dali a dois meses. A ltima vez que o marido de Ellen tinha ligado assustado pelas dores que a sua mulher sentia, fora um alarme falso.
    - Eu perguntei-lhe mas, como insistiu tanto, disse-lhe que podia passar pelo consultrio para que ficasse tranquilo.
    Patrina concordou e entrou no gabinete. O primeiro paciente chegaria dali  uma hora. Isso lhe daria tempo para beber um caf tranquilamente e pensar no que aconteceu com Cole na noite anterior. Ainda lhe parecia inacreditvel tudo o que tinha feito por ela, esper-la  porta de sua casa at a meia-noite, preparar-lhe um banho para que relaxasse, preparar-lhe a cama, vel-la at que o sono a vencesse...
    Dormiu como um beb. Ao acordar e descobrir que Cole tinha ido embora, tal como havia prometido, teve a sensao de ter sonhado com tudo. E teria continuado acreditando se no fosse pelo breve recado que encontrou em cima do balco da cozinha: Vejo-a em breve.
    O que significava aquilo? Ia esper-la outra vez  porta de sua casa at que ela chegasse?
    - Doutora Foreman, esqueci de lhe dizer que tambm ligou algum. Disse que era pessoal.
    Patrina voltou-se e viu a recepcionista a porta do gabinete.
    - Disse o nome?
    - Sim , Cole Westmoreland.
    - Deixou alguma mensagem? - perguntou Patrina percebendo o curioso interesse de Tammie.
    - Sim, disse que vinha v-la para almoarem juntos.
    - No consigo comer muito durante o dia - assinalou Patrina, franzindo o nariz.
    - Isso foi o que eu lhe disse.
    - Mais alguma coisa?
    - Sim, disse que passaria por aqui hoje ao meio dia.
    Patrina disfarou o nervosismo diante da recepcionista enquanto se perguntava de onde Cole tirou a idia de que podia entrar e sair da sua vida quando desejasse.
    - No  o primo de Durargo Westmoreland? Um dos filhos de Corey Westmoreland?
    - Sim,  - respondeu Patrina friamente.
    A pergunta de Tammie no era nada estranha. Tanto Durango como Corey eram muito conhecidos na cidade. Antes de se casar com Savannah, Durango foi muito popular entre as moas solteiras. Corey por sua vez, era um cidado respeitado e a sua opinio, muito valorizada. Todos sabiam que vivia no alto da montanha e conheciam com todos os detalhes como descobriu que tinha trs filhos h trinta anos atrs.
    - Ouvi dizer que esse Cole Westmoreland  muito atraente.
    - O que disse? - perguntou Patrina perdida em seus pensamentos.
    - Dizia... Que me contaram que Cole e o seu irmo, Clint so muito atraentes.
    "Voc nem imagina quanto", pensou Patrina.
    - Sim, so - disse. - Mas no so velhos demais para voc? Alm disso, creio que Clint Westmoreland  casado.
    - Ouvi a minha irm Gloria dizer, enquanto falava com uma amiga dela - sorriu Tammie. - trabalhava numa loja de roupas e conheceu-os no ano passado. Parece que foram l para alugar dois trajes para o casamento da irm Casey.
    - Bem, de qualquer maneira, se o senhor Westmoreland voltar a ligar, por favor, diga-lhe que estou muito ocupada e que no posso ir almoar com ele.
    - Ele disse que voltaria a ligar. Pediu-me que lhe dissesse, simplesmente, para que estivesse pronta  uma da tarde.
    Contrariada, Patrina concordou para agradecer a informao  recepcionista. Quando ficou sozinha, Patrina recostou-se na cadeira.
    Cole no se dava por vencido. Foi muito simptico na noite anterior, mas a ave presa dentro dele regressou mais fominta do que nunca.
    
    - Da prxima vez que me utilizar como desculpa, pelo menos faa o favor de me avisar - disse Durango ao seu primo Cole enquanto desmontavam dos cavalos que usaram para dar uma volta pelo rancho.
    - O que voc quer dizer? - perguntou Cole franzindo a testa?
    - Casey veio esta manh visitar Savannah e fez um comentrio acerca de um jogo de cartas - comentou Durango. - disse que voc voltou s tantas da manh e que estava comigo. Felizmente, ontem  noite, Savannah foi para a cama cedo e Quade e eu ficamos conversando. Como a minha mulher no podia saber se voc chegou depois dela ter se deitado ou no, eu pude te cobrir.
    - Obrigado. - sorriu Cole.
    - O que tem entre as mos? Quade disse que tinha uma vaga idia de onde poderia estar, mas no se acusou.
    - Muito obrigado, sinceramente. De momento, vou precisar de ajuda para que me cubra de vez em quando. No sei quanto tempo durar.
    - Est envolvido com alguma mulher? Pelo menos, espero que no seja casada.
    - No, no .
    - Graas a Deus.
    - Olha quem est falando. - disse Cole sorrindo. - J esqueceu de que todos ns conhecemos aquela historia sobre voc e o McKinnon?
    Durango, irmo de Quade e trs anos mais velho que Cole, era o segundo primo que Cole e Clint conheceram. Ao chegar a Montana, disse ele que tinha ido busc-los no aeroporto. Tinha-os hospedado em sua casa e acompanhara-os a casa de Corey. Depois, Clint e Cole conheceram o pai que os tinha gerado. Alm disso, por acaso, conheceram o outro primo, Stone, e a jovem com a qual este ltimo se casaria alguns meses depois, Madison, e a me da moa, Abby, a mulher que ocupou o corao de Corey durante os trinta anos que passou sem ele.
    - Diga a Casey que j est tudo praticamente pronto para a festa - disse Cole para mudar de assunto.
    - Sim, j me disse - respondeu Durango consciente da evasiva do primo. - Savannah j est tremendo s de pensar na quantidade de Westmoreland que viro para c. Como houve alguns que no puderam vir ao casamento do Clint, no nos voltamos a reunir desde o casamento de sua irm. Por Deus, ainda no consigo acreditar que o seu irmo tenha se casado.
    - Pois acredite, est felizmente casado.
    - Conheo a sensao.
    Cole olhou para o primo e observou como os seus olhos diziam a verdade. Bastava estar com ele e com Savannah durante alguns minutos para se perceber isso.
    - McKinnon e eu combinamos de ir comer logo em Watering Hole - disse Durango. - queres vir?
    - Obrigado pelo convite, mas j tenho planos - respondeu Cole piscando-lhe um olho.
    
    Patrina sorriu ao ver os resultados do exame de ultrasom que fez em Ellen Cranston.
    Chegaram no meio da manh nervosos pelas dores que estava sofrendo no ventre. Durante cinco anos tentaram com que Ellen ficasse grvida e, quando finalmente conseguiram, os nove meses estavam transformando-se num calvrio de suspeitas e preocupaes para eles. Mas os resultados eram esclarecedores. No iam ter um filho, iam ter dois, gmeos. Um menino e uma menina. A posio do pequeno no permitira ver at quele momento a menina que tambm estavam  espera.
    Sabia que os Cranston iam receber a notcia com entusiasmo. No conseguia esperar para lhes dizer. Contente, Patrina agarrou no telefone e marcou o numero do casal.
    Dez minutos depois, Patrina apoiou as costas na sua cadeira e sorriu. O feliz casal regozijou-se tanto que comearam a chorar ao telefone.
    Inconscientemente, Patrina levou a mo ao estmago.
    E se estivesse grvida?
    Ter um beb encher-lhe-ia de alegria tanto como a ele. Nesse momento, j existiam formas para saber se estava ou no. Mas queria esperar. Se na semana seguinte no tivesse a menstruao, seria uma prova definitiva.
    - Doutora Foreman, o senhor Westmoreland j chegou - disse de repente a recepcionista atravs do intercomunicador.
    - Por favor, diga-lhe que entre - respondeu Patrina levantando-se.
    Assim que deixou de apertar o boto, Cole apareceu na porta, entrou no gabinete e fechou-a atrs de si.
    - Aqui estou eu - disse como uma voz irresistivelmente sedutora.
    Com as costas apoiadas na porta do gabinete de Patrina, Cole olhou para ela e comprovou que estava to bonita como sempre. A boca dela estava pedindo para que a beijasse, que a saboreasse durante horas.
    - Ol, Cole.
    - Ol, Patrina. Dormiu bem durante a noite? - perguntou ele aproximando-se.
    - Sim, obrigada por perguntar. E obrigada por tudo o que fez.
    - Prefiro que me agradea assim - disse agarrando-a pela cintura.
    Sem pedir permisso, Cole beijou-a.
    Quando os lbios se tocaram, ambos emitiram um suspiro de alivio, como se algo dentro deles tivesse se libertado ao mesmo tempo.
    Sem a menor resistncia, Patrina rodeou-o com os braos e aproximou-se dele para senti-lo ainda mais perto.
    Separando os lbios suavemente dos dela, Cole olhou para ela sem deixar de abra-la.
    - Eu precisava.
    - Eu tambm.
    Cole olhou para ela surpreendido pela facilidade com que cedeu a beij-lo.
    - Vai para a clnica quando terminar por aqui?
    - Sim, vou todos os dias. Precisam de mim.
    "eu tambm preciso de ti, e com mais urgncia", pensou Cole.
    - Quanto tempo vai ficar l? - perguntou ele.
    - O tempo que for preciso.
    - No concordo. Vou buscar voc s oito. D-me a direo enquanto almoamos.
    - Desculpe? - perguntou Patrina incapaz de acreditar na arrogncia dele.
    - Perdo-lhe apenas porque  linda - brincou ele beijando-a novamente para que deixasse de falar.
    
    Patrina olhou para o relgio e viu que acabavam de dar sete horas. No havia tanto trabalho como no dia anterior. Um dos mdicos foi para casa. S restavam ela e uma pessoa da manuteno. Era uma sorte, dada a perseverana com que Cole insistiu em ir busc-la s oito.
    Embora ainda faltasse uma hora para sair, decidiu relaxar alguns minutos bebendo um caf depois de dizer  recepcionista do turno da noite, Jlia, que podia cham-la a qualquer momento se acontecesse alguma coisa.
    Vestiu o casaco e, com a xcara do caf, saiu para o terrao de onde se avistava uma linda vista do lago. Apoiando-se na varanda, pensou no almoo com Cole.
    Levou-a a um restaurante perto do hospital e, para ser sincera, divertiu-se muito. Ele contara-lhe os preparativos da festa de aniversrio do seu pai, que todos os seus primos viriam, at Delaney e Jamal, que apanharam um avio do Oriente Mdio. Riu muito com a histria que Cole lhe contara sobre o bero que o seu primo Thorn comprou para o seu primognito.
    Depois, a conversa ficara muito mais sria quando ela lhe perguntou sobre a sua me. Cole contara-lhe com tristeza nos olhos como ela escondeu at o fim, a ele e aos seus dois irmos, a verdadeira histria do seu pai. Patrina reconheceu para si prpria a elegncia de Cole quando ele disse que, apesar de tudo, apesar dos anos e experincias familiares que perdeu, no guardava rancor pelo que sua me fez.
    S de ouvi-lo falar, Patrina percebeu a estreita relao que o unia  sua me. Aquele homem sabia o que significava perder algum, mudar de cidade, de vida... Era admirvel. Embora houvesse algo que Patrina no estava disposta a aceitar: a sua profisso. Sentia-se incapaz de voltar a ter uma relao ntima com um agente da lei.
    E ento, enquanto ele falava, Patrina percebeu que tinha se apaixonado por ele.
    Apaixonara-se por ele.
    Sabia que Perry, em algum lugar, estaria sorrindo ao saber, desde que ela tivesse encontrado a pessoa para ser feliz novamente.
    Mas no podia. Era impossvel. No conseguiria viver com a incerteza diria de no saber onde ele estaria. Com a incerteza de no saber se estava vivo ou morto.
    De qualquer forma, aqueles pensamentos eram absurdos, j que Cole no estava apaixonado por ela. A nica coisa que poderia fazer era superar. 
    Considerando que j tinha o seu tempo de descanso, Patrina votou a entrar e, ao passar pela mesa de Jlia, a mulher olhou para ela de forma estranha.
    - o que se passa, Jlia?
    Antes que a recepcionista pudesse responder, Patrina sentiu algo duro e frio a pressionar as suas costas.
    - No, doutora, no se passa nada - sussurrou-lhe uma tenebrosa voz masculina ao ouvido. - Mas j que voc est aqui, pode me dar a chave do armrio?
    Tentando manter a calma, virou-se lentamente e viu um homem observando-a com olhos nervosos.
    No devia ter mais de vinte anos.
    - Para qu a quer? - perguntou suavemente.
    - No se comporte como uma estpida. J sabe para qu a quero. Preciso de drogas.
    
    Cole acabava de entrar na clnica para ver porque Patrina estava to atrasada quando ouviu a voz do homem.
    Parou de repente no corredor.
    Aproximando-se discretamente, viu que um estranho ameaava Patrina e outra mulher com uma pistola.
    No momento sentiu-se nervoso, fria e medo por Patrina. No conhecia o lugar, nem as sadas. No sabia nada daquele edifcio, mas tinha que pensar rpido e agir com a cabea fria.
    Ento, ouviu Patrina dizer ao homem que no tinha as chaves do armrio. Tinha que fazer alguma coisa o quanto antes.
    Sigilosamente, entrou em vrios gabinetes at encontrar uma bata de mdico. Vestiu-a e encaminhou-se para eles.
    No devia entrar em cena abruptamente, isso podia ser fatal. Ento comeou a assobiar para que os trs o pudessem ouvir.
    Respirando profundamente, deu a volta na esquina e deparou-se com Patrina e Jlia olhando-o com os olhos dilatados.
    O homem estava nervoso.
    Nesse momento, soube o que fazer.
    Devia convencer ao estranho de que ele era o mdico encarregado pela clnica e que tinha a chave em seu poder.
    - Olhe, temos um novo paciente - disse Cole fazendo-se tonto e aproximando-se deles com toda a naturalidade.
    - Saia daqui, mdico insignificante - disse o homem apontando-lhe a pistola. - E vocs, dem-me a chave do armrio, j! - exclamou virando-se para elas.
    - Ah!  isso que quer? Eu a tenho - disse Cole.
    - D-me! - exclamou o estranho virando-se novamente para ele.
    - Claro. No vou discutir com um homem que me aponta uma pistola. - sorriu Cole levando a mo ao bolso.
    Cole tirou um chaveiro e deu-o ao jovem.
    - Acha que sou idiota? Estas so as chaves de um carro!
    - No, est enganado. Olhe bem para elas - disse Cole.
    Nesse momento, quando o jovem baixou o olhar para o chaveiro, atacou-o com toda a fria sem perder um instante, acertou-lhe no joelho e conseguiu tirar-lhe a arma. A seguir, sem lhe dar tempo para reagir, Patrina acertou-lhe nas costas atirando-o ao cho inconsciente.
    - Chame a policia! - exclamou Cole dirigindo-se a Jlia e afastando a pistola com um pontap. - Quem te ensinou a bater assim? - acrescentou olhando para Patrina.
    - Meu irmo Dale. Quando o Perry morreu, meu irmo insistiu para que eu aprendesse algumas tcnicas bsicas de defesa pessoal.
    Cole agradeceu secretamente a Dale por ter sido to diligente com a irm.
    - Est bem? - perguntou Cole aproximando-se dela.
    - Sim, estou bem, mas, podia ter-te matado!
    - Tinha que correr o risco, tinha que te proteger.
    Os dois olharam-se como se estivessem hipnotizados.
    - A polcia est a caminho - interrompeu Jlia.
    - timo. Onde raios esto os guardas de segurana?
    - No temos - respondeu Jlia. - tivemos que prescindir deles h alguns meses. O oramento no era o suficiente.
    Cole olhou para a mulher surpreendido e furioso. No havia segurana? Nenhuma? Como era possvel?
    Mas no disse nada.
    S havia uma soluo, e estava disposto a coloc-la em prtica. Aquela clnica no voltaria a estar to desprotegida.
    Nunca. Jamais enquanto ele vivesse.
    
    Quando a policia chegou, prenderam o jovem e passaram vrias horas reconhecendo o local e interrogando-os.
    As declaraes de Jlia aos meios de comunicao que se reuniram na porta da clnica centraram a ateno em Cole.
    Referiam-se a ele como um heri.
    A notcia saiu em todos os noticirios da noite. Cole recebeu chamadas de Casey, de Durango, do seu pai... todos queriam saber se estava bem, se lhe tinha acontecido algo, ou como tudo tinha acontecido. Apesar do interesse de toda a famlia, s Casey o cravou de perguntas. Ouvira na televiso que se encontrava presente na clnica porque fora buscar a doutora Patrina Foreman. O esforo que fizera para que ningum soubesse nada da sua relao com ela havia desmoronado. A essa altura, toda a cidade, todo o Estado, j sabia de tudo.
    Horas depois, no automvel de Patrina, ele respirou aliviado. No falaram muito desde que a policia chegou.
    O que ela estaria a pensando?
    Durante os interrogatrios, teve que ser sincero com a polcia e dizer-lhes que havia deixado de ser um ranger a um ms. Patrina tinha percebido.
    Olhara fixamente para ele, mas Cole no conseguira descobrir o que escondia atrs dos seus olhos.
    Tinha que falar com ela. Aquilo no podia esperar mais.
    - Patrina, ns precisamos conversar.
    - Sobre o qu? - perguntou ela friamente.
    - Sobre tudo o que aconteceu, sobre ns, do que quiser... Mas conversaremos antes de chegar na sua casa, porque, quando l chegarmos, a ltima coisa que quero  conversar.
    Como se tivesse recebido um murro no rosto, Patrina virou-se para ele com o rosto cheio de raiva. Estava verdadeiramente furiosa.
    Cole agradeceu por ter decidido ser ele a conduzir. Do contrrio, quem sabia como ela teria reagido.
    - Maldito arrogante! - exclamou Patrina. - ainda acredita que vai entrar em minha casa para satisfazer os seus desejos? Quem pensa que ? Mentiu-me! Por que no me disse que deixou de ser um ranger? Por que no me disse? Por que me deixou angustiada durante semanas? Por que?
    - Supunha-se que devia contar - replicou Cole virando no desvio que levava  casa de Patrina.
    Ao chegar, Cole travou o carro, desligou o motor e deixou as luzes ligadas.
    - Sabia perfeitamente o que eu pensava. Sabias o que pensava por ser um ranger.
    - O que pensa sobre a minha forma de ganhar a vida no me importa. Dormir com voc, querer estar com voc no tem nada a ver com isso. Assumiu que esse era o meu trabalho e, apesar de tudo, fez amor comigo. A sua cabea dizia-lhe uma coisa, mas o seu corao dizia outra muito diferente. E depois de pensar, cheguei  concluso de que quem tinha razo era o seu corao. Ele  que sabia a verdade.
    - Poderia ter morrido esta noite - disse Patrina olhando para ele.
    - Aquele homem estava apontando-lhe uma pistola. Voc tambm podia ter morrido. - respondeu Cole sentido que se fazia um n na garganta s de pensar. - Podia ter-te perdido.
    Cole tirou o cinto de segurana e inclinou-se para ela.
    - E isso  uma coisa que nunca vou permitir. Nunca.
    
    Patrina olhou fixamente para ele, tentando descobrir o que a boca dele possua para atra-la tanto, para querer beij-la vezes sem conta, para se perder nela.
    Tentou concentrar-se no que ele acabava de dizer, no que estava acontecendo.
    No podia continuar enganando-se. No havia forma de recus-lo. Ficaria com ele at que regressasse ao Texas. Depois, tudo terminaria.
    E, no caso de estar grvida, enfrentaria a gravidez com alegria. No tinha medo de ser me solteira.
    Se havia feito amor com ele, acreditando que era um ranger, foi para aproveitar o momento, para no deixar passar a oportunidade de se sentir mulher novamente. No procurara mais nada, e ele tambm no lhe prometera nada. A nica coisa que tinham partilhado fora sexo, paixo, desejo. Mais nada.
    E desejava-o.
    Desejava meter-se na cama com ele, sentir-se desejada de novo, sentir que um homem morria por fazer amor com ela.
    - Patrina, vou beijar voc.
    Disse em voz baixa, com calma, mas com convico, com o domnio de um homem seguro de si mesmo. Se at ali tinha tido alguma dvida do verdadeiro carter de Cole, aquela frase esclarecera-a completamente.
    No ia deter-se perante nada.
    - E isso no  a nica coisa que vou fazer - acrescentou inclinando-se sobre ela. - Podemos fazer aqui ou ali dentro, voc decide. - sorriu Cole.
    No aguentava mais. No podia com aquele sorriso. Estava consumindo-se por dentro. Estava ficando louca. No dormira com um homem durante mais de trs anos. Precisava que Cole a possusse outra vez. Dava-lhe vida.
    - Patrina?
    Levantando a vista, Patrina olhou para ele fixamente, ficou em silncio durante alguns instantes e deixou que os seus desejos falassem por ela.
    - Faremos l dentro.






    Quando cruzaram o umbral da casa, Cole fechou a porta atrs de si e atirou-se sobre ela.
    No conseguia esperar nem mais um segundo.
    Prendeu-a entre os seus braos e comeou a beij-la com um desespero que nunca nenhuma outra mulher havia despertado nele. Era como uma necessidade instintiva, o impulso que leva um homem a possuir uma mulher que, por alguma razo sabia que era perfeita para ele.
    No entanto, enquanto a beijava, Cole assustou-se com os seus prprios pensamentos. Nunca havia pensado em nenhuma mulher daquela forma. Nunca quisera pertencer a ningum nem que ningum lhe pertencesse. Mas Patrina era diferente. No sabia o que poderia ser, mas no se parecia com nenhuma outra pessoa que tivesse conhecido.
    Por outro lado, no podia esquecer a possibilidade dela estar grvida. Aquilo transformaria toda a situao. Alguma coisa dentro dele parecia encantado com aquela possibilidade, como se parte dele quisesse que se tornasse realidade.
    Mas no momento no queria pensar mais.
    No lhe servia de nada preocupar-se antes do tempo. Alm disso, tudo o que queria naquele momento era voltar a toc-la, praticar todas e cada uma das fantasias sexuais que teve com ela desde a ltima vez que estiveram juntos.
    O desejo de possuir o corpo dela chegara a ser, durante aqueles ltimos dias, uma obsesso, algo to importante como respirar para continuar vivendo.
    Patrina deixou de beij-lo por alguns momentos para recuperar a respirao e Cole aproveitou para observ-la. Tinha os olhos dilatados, os lbios vermelhos e midos, a pele brilhante e madeixas sobre o rosto.
    Era demais. Nenhuma mulher tinha o direito de ser to atraente. Desejava-a.
    Desejava-a com todas as suas foras. No conseguia pensar noutra coisa.
    Patrina fez dele um homem cego de paixo, tinha-o excitado at o limite. Queria tirar a cala. Tinha que o fazer o quanto antes, no conseguia suportar mais a presso do seu membro contra a cala.
    Mas, antes, queria v-la nua.
    - Vem c.
    Patrina deu um passo  frente.
    - Mais perto.
    Patrina avanou de novo e encontraram-se colados um ao outro. Incapaz de esperar mais, Cole baixou as mos at a cintura dela, desabotoou o boto e, quase com fria, como se estivesse possuindo uma terra desconhecida, baixou com um estico a saia dela.
    - Quero que tire tudo - ordenou-lhe Cole seguindo com o dedo a linha que a calcinha de Patrina desenhava nas suas pernas, - quero te ver nua.
    Patrina emitiu um gemido abafado. O dedo dele estava queimando-a. Tinha que sufocar aquele calor. Conforme necessrio fosse.
    E s ele podia fazer.
    Dando alguns passos para trs, Patrina comeou a tirar pouco a pouco a roupa que ainda tinha vestida. Desabotoou a blusa e com ela o suti, deixando desnudos os mamilos eretos.
    Cole estava utilizando toda a sua fora para no se atirar sobre ela.
    Quando finalmente Patrina tirou a calcinha mostrando todo o seu corpo nu, Cole quase se ajoelhou diante dela para ador-la.
    - Agora, dispa-se voc.
    Cole estava to excitado, to entregue  beleza de Patrina, que obedeceu imediatamente. Desabotoou a camisa e, despindo-a rapidamente, atirou-a para um lado.
    A seguir, descalou os sapatos e as meias.
    Ento, levando a mo ao bolso traseiro da sua cala, Cole tirou uma caixa de preservativos e, segurando-a na boca, abriu o cinto, o boto da cala e comeou a baix-la sem deixar de olhar para ela.
    Finalmente, satisfeito com o efeito que estava provocando em Patrina, tirou a cueca e ficou por alguns minutos nu, diante dela.
    A nica coisa que se ouvia era a respirao dos dois agitando o ar que os separava.
    Agarrando novamente a caixa dos preservativos com a mo, Cole aproximou-se dela e, beijando-a, conduziu-a at ao quarto.
    Depois de t-la deitado sobre o colcho, Cole ergueu-se diante dela e, tirando um preservativo, comeou a coloc-lo. Mas o olhar dela, que no perdia o mnimo detalhe do corpo dele, estava excitando-o tanto que estava ficando nervoso.
    - Quer que eu o ajude? - murmurou Patrina com voz cativante.
    - Obrigada, doutora - respondeu ele sorrindo, - mas prefiro faz-lo eu. Quero-a tanto que, se me tocar neste momento... Seria muito embaraoso.
    - Oh! - Retorquiu ela.
    Cole olhou para ela. Como era possvel que aquela mulher no soubesse o quanto era atraente?
    - Pronto - anunciou Cole afundando-se na cama. 
    Patrina estremeceu.
    Estava prestes a voltar a entrar num mundo muito diferente.
    Patrina abraou Cole e atraiu-o para ela.
    J no havia a menor dvida; aquela sensao inexplicvel era nova para ela, algo que nunca tinha sentido com Perry durante o tempo em que esteve com ele. A forma como Cole colocou o preservativo diante dela tinha-a deixado louca de desejo.
    Cole estava em cima dela. Seu trax pressionava os seios dela, excitando-a com sua extraordinria musculatura, enquanto que os braos a rodeavam dando-lhe segurana, oferecendo-lhe um lugar onde permanecer a salvo, um lugar a qual pertencer.
    - Relaxe - sussurrou Patrina acariciando-lhe as costas.
    - Isso  muito fcil de dizer, linda. Como no est a ponto de...
    - Como no?
    Empurrando-o suavemente para o lado, Patrina deitou-o de barriga para cima e colocou-se em cima dele. Cole gostava de ter o controle de situaes como aquela, mas estava to excitado que decidiu deixar-se levar.
    - Esta posio  diferente - murmurou Cole agarrando um dos seus seios com a mo e beijando-o.
    Patrina inclinou a cabea para trs para suportar a onda de prazer que estava invadindo-a. Definitivamente, aquele homem sabia fazer muitas coisas com a boca. Mas ela tambm. E queria demonstrar-lhe.
    Sem avisar, Patrina afastou-se dele, retrocedeu at chegar aos ps da cama e olhou para ele. Mas no estava olhando para os olhos dele, mas para outra parte do seu corpo. Cole percebeu. Havia um brilho misterioso nos olhos de Patrina.
    - No vai fazer o que penso que vai fazer, certo?
    - No sei o que pensa que vou fazer - sorriu ela enquanto percorria o corpo dele com as mos, detendo-se em cada msculo, em cada linha.
    - Est tentando acabar comigo,  isso, no ?
    - No, quero desfrutar de ti como voc desfrutou de mim - respondeu ela vendo como Cole se excitava ainda mais ao ouvir aquelas palavras, surpreendida ao descobrir o poder sexual que tinha sobre ele.
    Agarrou o pnis com as mos e comeou a massage-lo, passando as mos para cima e para baixo, enquanto ele ofegava cada vez mais.
    Mas queria mais. Queria toc-lo, sabore-lo e no a um preservativo. E estava decidida a faz-lo. Sem pensar duas vezes, tirou-o lentamente.
    - Sabe o quanto me custou coloc-lo? - perguntou Cole com a voz abafada, presa pelo prazer que ela lhe estava dando.
    - Perfeitamente. No tirei os olhos de cima de voc nem um segundo enquanto o colocava - respondeu inclinando-se sobre ele para introduzir o sexo de Cole dentro de sua boca.
    Cole teve um choque eltrico ao sentir a lngua dela. Instintivamente, tentou segur-la, mas ela agarrou-se  sua cintura. Ficou claro que sabia o que queria e no ia parar perante nada.
    Patrina saboreava-o ansiosamente, como ele fez com ela dezenas de vezes na noite que passaram juntos algumas semanas atrs. Cada vez que lhe tocava com a lngua, notava como o estmago de Cole se retraia, como os seus pulmes tentavam reunir ar, como as suas mos lhe acariciavam o cabelo obrigando-a a continuar. Nunca tinha desfrutado ao fazer aquilo. Era uma surpresa.
    Ento, sentiu como ele comeava a estremecer e reparou que tentava afastar o seu sexo dela.
    Mas Patrina manteve-se firme, no s para lhe demonstrar que era ela quem tinha o controle, mas porque estava desfrutando como nunca fez antes em toda a sua vida.
    Cole comeou a gritar o nome dela e, sem poder aguentar, desfez-se na boca dela. Ento, Patrina levantou-se e observou com satisfao como Cole tentava recuperar a respirao.
    Sem esperar um segundo sequer, inclinou-se sobre a mesa de cabeceira, tirou uma caixa de preservativos diferente da que ele tinha levado e, tirando outro, comeou a coloc-lo.
    Cole olhou para ela fixamente.
    - Depois do que aconteceu da ltima vez, decidi que devia estar preparada para o que viesse a acontecer. No tinha certeza se voltaria ou no.
    - Sabe que o faria - afirmou Cole.
    - Rezei para que no o fizesse, mas, por outro lado... Desejava-o. Fez-me sentir coisas que nunca senti antes. Fez-me sentir mulher.
    - No gostou? Pareceu-lhe mal?
    - Claro que no, mas... Antes de te conhecer, nunca pensei que voltaria a sentir-me assim.
    Cole ficou em silncio durante alguns minutos.
    - E agora? - perguntou finalmente.
    - Agora, quero que faa amor comigo durante toda a noite sem se preocupar com o que acontecer amanh.
    Cole agarrou-a pela cintura e, agilmente, deitou-a sobre a cama.
    - Toda a noite - repetiu ela olhando para ele.
    Cole deslizou a sua mo pelo corpo dela at chegar ao ventre. Ento, suavemente comeou a acarici-la entre as pernas, fazendo com que ela fechasse os olhos para sentir melhor o que ele fazia.
    - Patrina, abra os olhos e olhe para mim.
    Ao faz-lo, Cole deitou-se sobre ela e, decisivamente, penetrou-a.
    Patrina sentiu que a fora de Cole a partia em mil pedaos. Instintivamente, rodeou-o com as pernas para receb-lo melhor.
    Deixara novamente a vida terrena para entrar num mundo novo.
    
    Algumas horas depois, o repentino som do telefone acordou-os. Patrina inclinou-se sobre a mesa de cabeceira antes de atender.
    Quem poderia ligar s quatro da manh?
    - Sim? - perguntou libertando-se dos braos de Cole para se sentar na beira da cama.
    Cole viu Patrina concordar em silncio durante alguns breves instantes.
    - Vou imediatamente - disse por fim antes de desligar o telefone.
    - Um parto imprevisto? - perguntou Cole levantando-se.
    - Sim - respondeu Patrina virando-se para olhar para ele. - Mas no  um parto qualquer.
    - Ah, no? E o que tem este de especial?
    - Quem vai nascer  a sua futura sobrinha - sorriu Patrina. - ou sobrinho, quem sabe?
    Patrina percebeu a confuso de Cole.
    - Chama-se Vernica, tem dezoito anos e  quem vai dar o seu beb em adoo  sua irm Casey e a McKinnon. O parto estava previsto para daqui a um ms. Pode ligar-lhes enquanto me visto e dizer-lhes que se encontrem comigo no hospital? Diga-lhes que vou j para l.
    
    Cole no esqueceria nunca enquanto vivesse o rosto de felicidade da sua irm quando finalmente segurou o beb nos braos. O seu marido, McKinnon, estava igualmente emocionado. Era um momento para a posteridade.
    - J sabem como iro cham-lo? - perguntou Cole.
    - Sim - respondeu Casey. - McKinnon e eu decidimos cham-lo de Corey Martin Quinn em homenagem aos nossos pais. 
    Cole concordou satisfeito. O nome combinava como um anel no dedo. Segundo Patrina, pesava quase quatro quilos. Tendo em conta que nasceu antes do tempo, era quase um recorde.
    - O beb ter que ficar aqui no hospital, pelo menos durante mais um dia - disse Patrina entrando no quarto. - Depois, podem lev-lo para casa.
    - Como est Vernica? - perguntou Casey.
    - Est muitssimo bem, mas continua firme na deciso de no ver o beb. Nem sequer quer saber se  menino ou menina. Diz que a nica coisa que quer  regressar a Virgnia, continuar a estudar e recuperar a sua vida.
    Pelo que Patrina lhe tinha contado a caminho do hospital, Vernica Atkins abandonou o colgio para fugir com um grupo de rock. Ao ficar grvida, o pai do beb tinha-se zangado com ela e Vernica, sozinha, comeou a trabalhar como empregada domstica. Passou meses vivendo em abrigos, sem nenhum lugar para onde ir. Finalmente, tomou a deciso de dar o filho em adoo para que pelo menos tivesse uma oportunidade. Depois de entrar em contato com Patrina, conheceu Casey e McKinnon. Ficou encantada com eles. Por fim, encontrara uma famlia na qual o seu filho teria a estabilidade e o amor que a ela lhe tinha faltado.
    - Embora, como so os pais, podem vir visit-lo a qualquer momento. - acrescentou Patrina.
    - Obrigado por tudo, Trina - disse McKinnon olhando encantado para a mulher e para o filho.
    - No tem que me agradecer - respondeu ela. - vocs merecem tanto esta criana como ela merece uma famlia.
    Os olhares de Cole e Patrina cruzaram-se durante um instante, mas foi o suficiente. Ambos estavam pensando no mesmo. No filho que Patrina podia ter dentro dela.
    Cole sentiu um n no estmago, uma nova sensao, algo que nunca tinha experimentado. Ele j havia tentado rejeit-la durante semanas, escond-la, no dar importncia, mas era a hora de enfrentar a realidade.
    Amava-a. Estava apaixonado por ela.
    Maldio. O que teria acontecido? Quando? Procurou no seu interior e rapidamente encontrou a resposta. Foi naquela primeira noite que passou nos seus braos, fazendo amor com ela. A maneira como ela lhe entregou o seu corpo, a forma como confiara nele, tinham mudado tudo.
    Tinha que ser um estranho luntico que, apontando-lhe uma pistola, desenterrara de uma vez aqueles sentimentos que com tanto esforo tentou esconder.
    Cole olhou para Patrina. Estava nervoso. Queria ir ter com ela e dizer-lhe, confessar-lhe com se sentia, beij-la como um homem beija a mulher ama. Mas no poderia faz-lo. Havia muitas pessoas. Alm disso, Casey estava comeando a desconfiar de algo. Ela tinha centenas de perguntas sobre o incidente na clnica. E embora ele se negasse a respond-la, tinha certeza de que no se daria por vencida.
    Respirando profundamente, Cole aproximou-se de Patrina e, esquecendo-se dos outros, acariciou-lhe quase despercebidamente a face com a ponta dos dedos.
    - Vamos, doutora? - perguntou-lhe Cole.
    - Logo - respondeu ela com um sorriso. - Depois que preencher alguns papis.
    Cole concordou com a cabea e observou-a sair do quarto.
    - O que est acontecendo, Cole? O que h entre voc e Patrina?
    Cole deparou-se com o olhar da sua irm fixo nele. Parecia aborrecida, a ponto de lhe dar um sermo, e ele entendia-a. Conhecia muito bem todas as aventuras que teve em sua vida, a forma como tinha encarado as suas relaes com as mulheres. Mas, naquela ocasio, era diferente. Tinha de lhe dizer.
    - Eu a amo. Quero casar-me com ela.
    Casey ficou plida. Era evidente que nem sequer tinha pensado nessa possibilidade.
    - Como  possvel? Conheceram-se no ano passado e desde ento no se viram mais.
    - Nos vimos, sim.
    Casey olhou para ele como se lhe dissesse que mais cedo ou mais tarde exigiria que lhe contasse toda a histria, do princpio ao fim.
    - J lhe disse tudo isso? - perguntou Casey em voz baixa.
    - Ainda no - reconheceu Cole aproximando-se da irm e dando-lhe um beijo na testa. - Mas vou dizer. E mais cedo do que pensa.
    
    
    

    
    
    Quando entraram pela porta da casa de Patrina, Cole decidiu falar com ela. Precisava de lhe dizer como se sentia. Mais do que fazer amor com ela.
    - Patrina?
    - Sim? - perguntou ela deixando a sua bolsa em cima da mesa da entrada.
    - Precisamos conversar.
    Patrina suspirou. Sabia perfeitamente o que Cole queria falar. Estar no hospital, com a sua irm e o beb, devia t-lo posto nervoso. Queria perguntar-lhe novamente se estava grvida, o que iam fazer, o que ela lhe ia exigir...
    - No tem que se preocupar com nada, Cole. Se estiver grvida, no pedirei nada nem o culparei. Sou maior de idade, sabia o que estava fazendo durante todo o tempo. Fiz porque queria estar com voc e no me arrependo.
    Cole aproximou-se dela e agarrou-a pela cintura.
    - Nesse caso, talvez te interesse saber que comigo aconteceu o mesmo. Sempre soube o que estava fazendo e fiz o que fiz porque queria estar com voc.
    - O que voc quer dizer? - perguntou Patrina confusa.
    - O que quero dizer  que, embora nenhum dos dois tenha planejado isto, se estiver grvida, serei um homem muito feliz. Quero essa criana... E quero estar com voc.
    Patrina olhou para ele. Estava dizendo o que ela pensava que ele estava a dizer? No era imaginao sua?
    - O que estou tentando dizer, Patrina,  que no  s desejo. Eu amo voc.
    - Mas...
    - Sem ms. Nunca disse isso a nenhuma mulher e no quero dizer a mais ningum. S quero dizer para voc. Se no me ouviu bem, posso repetir as vezes que voc quiser. No me cansarei at que acredite. Amo voc, Patrina. Quero voc. No me importo se est grvida ou no. Quero casar com voc. Quero casar com voc o mais depressa possvel e viver aqui com voc.
    - Mas... E o que acontecer no Texas? Nunca disse que queria viver aqui.
    - Querida, viverei onde voc estiver. J no sou um agente da lei, j no sou um ranger. Mas o que ainda no te disse  que o meu tio deixou aos meus irmos e a mim o rancho dele e todas as terras ao redor. Casey e eu vendemos a nossa parte para o Clint. Ele vai construir uma reserva natural para proteger a fauna da regio.  Eu, pela minha parte, utilizei o dinheiro da venda em alguns investimentos que deram resultado e so muito lucrativos.
    Patrina assentiu com a cabea e Cole percebeu que havia entendido tudo perfeitamente. Estava apaixonada por um homem imensamente rico.
    - Quade, Rico, o irmo de Savannah e eu, estamos comeando a dar forma a uma empresa de segurana. Alm disso, Quade e eu permanecemos em contato com Serena Preston. Queremos comprar-lhe os helicpteros para abrir um servio de transportes.
    - E o que Serena far?
    - No fao idia. Suponho que se mudar. Por que?
    - Por nada, era apenas curiosidade. Ela teve uma relao com o meu irmo durante um ano, mais ou menos, at que descobriu que era um mulherengo.
    - Patrina, agora que j sabe de tudo, casa comigo? D-me uma oportunidade. Juro que farei o que for necessrio para que se apaixone por mim.
    - No perca tempo, Cole.
    - Mas...
    - Seria intil, porque j estou apaixonada por voc. Percebi naquela noite em que cheguei em casa exausta e voc estava  minha espera. Amo voc, Cole.
    - E casar comigo?- perguntou ele ansioso.
    - Claro!
    - O quanto antes?
    - De quanto  que estamos falando?
    - Na prxima semana a famlia intera vir para celebrar o aniversrio do meu pai. Gostaria de apresent-la a todos como minha esposa.
    - Tem certeza? No quer esperar para saber se estou grvida ou no?
    - Querida, como j disse, isso no me importa. Alm disso, se no estiver grvida, eu me encarregarei para que fique - brincou ele.
    - Quer mesmo ter um filho?
    - Claro que quero um filho. No percebi o quanto desejava at que vi a felicidade da minha irm e do McKinnon. Quero ter um filho seu.
    Patrina baixou os olhos e desatou a chorar. A vida estava oferecer-lhe algo que poucas pessoas tinham: uma segunda oportunidade para ser feliz. Os cinco anos que partilhara com Perry foram maravilhosos, ia record-los para sempre. Mas estava apaixonada por Cole. Queria estar com ele. Ser uma boa esposa. Am-lo. Voltar a ser feliz.
    Quando voltou a levantar cabea, encontrou os lbios de Cole. Pela primeira vez, correspondeu-lhe sem que nenhum pensamento lhe enevoasse o momento. Aquilo era o que queria. Aquele era o seu lugar. O lugar onde ela passaria o resto da sua vida. Entre os braos dele.
    
    Uma semana depois...
    
    - Cus! - exclamou Casey quando Patrina lhe mostrou o seu anel de diamantes. - O meu irmo no  to avarento quanto eu pensava.  extraordinrio!
    Patrina concordava. Estavam casados h quatro dias, mas decidiram esperar um pouco para apreciar a lua de mel.
    O casamento foi uma cerimnia simples, oficializada pelo pai de McKinnon, o juiz Martin Quinn. A seguir, Cole e ela, junto de Clint e Alyssa, assistiram ao batizado do filho de Casey e McKinnon, Corey Martin.
    - Vai ser um rapaz com sorte - dissera Clint, que pouco antes anunciara a todos que Alyssa estava grvida.
    Cole agarrou a mo de Patrina em sinal de cumplicidade.
    Eles tambm tinham a certeza de que teriam um beb para o final do ano, mas decidiram no dizer nada ainda.
    - Sempre soube que o meu primo tinha bom gosto para mulheres - disse Delaney Westmoreland Yasir.
    - Obrigada - respondeu Patrina.
    
    Toda a famlia Westmoreland reuniu-se em volta de Corey para celebrar os seus cinquenta e sete anos. Patrina olhou ao seu redor. Casey e Abby fizeram um excelente trabalho organizando tudo. Corey estava sentado numa cadeira de balano com um neto em cada brao, Rock, o beb de trs meses filho de Stone e de Madison, e ao qual todos chamavam Rocky, e o recm nascido, Corey Martin.
    Patrina observou ento Alyssa, que estava falando com o marido, Clint. Tinha engordado muito para estar apenas de trs meses. Iria ter gmeos? Inconscientemente, levou a mo ao ventre. E se ela tivesse gmeos? A famlia Westmoreland parecia ter tendncia para isso, como a mulher de Stone, Jayla.
    - Posso roubar a minha mulher por alguns minutos? - perguntou Cole dirigindo-se ao grupo onde estava Patrina.
    Sem esperar pela resposta, Cole conduziu-a para fora da casa. Corria uma leve brisa. Patrina abraou-o e Cole beijou-a apaixonadamente.
    - Hum... no  que me parea mal, mas... A que veio isto? - perguntou ela.
    - Por nada - respondeu ele sorrindo. - queria apenas beij-la.
    Cole voltou a beij-la e disse:
    - Spencer e Donnay esto prestes a anunciar. O Ian e a Brooke tambm.
    - O que vo anunciar? Mais bebs?
    - Sim.
    - Ser que vocs, os Westmoreland, s pensam em reproduzir para dominar a terra? - brincou Patrina.
    -  uma boa idia - sorriu Cole. - Como Emilie e voc esto hoje? - acrescentou acariciando-lhe suavemente o ventre.
    - Emery e eu estamos bem - respondeu Patrina teimando no nome.
    - Como queira - respondeu ele divertido. - No vamos discutir por isto.
    Decidiram esperar at o nascimento para saber se o beb que Patrina carregava era um menino ou uma menina. Cole estava convencido de que seria menina, e j lhe tinha mostrado a sua preferncia ao cham-la de Emilie, por parte da sua av materna. Patrina, por sua vez, achava que era um menino, e propusera o nome de Emery.
    - Pois ento no discutimos. - disse ela beijando-o suavemente.
    E depois, enquanto Cole a abraava, teve o pressentimento de que estava grvida de gmeos. Ao fim e ao cabo, tinha engravidado sobre a influncia da lua de Abril, aquela lua que convidava os amantes a libertar os seus desejos.
    Alm disso, aquelas ltimas semanas tinham-lhe demonstrado que tudo era possvel estando casada com Cole Westmoreland.
    
    


    
    
    Novembro
    
    
    Durante os cincos meses seguintes, a famlia Westmoreland reuniu-se em outras duas ocasies.
    A primeira, para estar presente na cerimnia da entrega dos prmios Eve, que aquele ano decidiu premiar o trabalho de Patrina Foreman em proveito da comunidade.
    A segunda, para celebrar o dia de Ao de Graas na montanha de Corey. E naquele ano tinham muito para agradecer. A famlia Westmoreland j sabia que tanto Brooke como Patrina esperavam gmeos, embora o sexo dos pequenos ainda fosse uma incgnita.
    Nas ltimas semanas, Cole tinha brincado com Patrina dizendo-lhe que os bebs seriam meninas e que se chamariam Emilie e Evelyn. Ela, por sua vez, no deixava de afirmar, que pelo movimento dentro do seu ventre, que iam ser meninos e que se chamariam Emery e Ervin. S faltavam dois meses para saber quem tinha razo.
    Enquanto a maioria aproveitava um intervalo para sair e dar um passeio, Cole observou o seu primo Quade que ficara em casa.
    Parecia cansado.
    Teria ficado afetado ao demitir-se do seu trabalho como agente secreto?
    Era hbito entre as pessoas acostumadas a ter uma vida muito intensa, ocupada e estressante.
    - O que  isto? - perguntou Quade.
    - O qu? - perguntou Cole por sua vez aproximando-se dele.
    - Isto. - respondeu o primo apontando para uma revista que Patrina assinara h pouco tempo.
    -  da Patrina. Para mulheres grvidas.
    Cole olhou para o primo e para a revista varias vezes sem perceber.
    -  ela. - disse Quade assinalando a capa com a voz tremendo, deslocada e com o rosto plido, como se fosse um fantasma.
    Cole olhou para a revista. Uma modelo belssima ocupava a capa. Estava grvida, to grvida que dava a impresso de estar prestes a dar  luz.
    - Ento... conhece-a?
    - Claro que a conheo. - respondeu Quade sem afastar os olhos da revista. - A conheci no incio do ano no Egito.
    - Esta  a mulher da qual me falou? - perguntou Cole surpreendido. - a que conheceu na praia?
    - A prpria.
    - Est grvida!
    - No me diga!
    - Quanto a voc no sei, mas a mim d-me a sensao que vai ter trigmeos. - disse Cole. - ou, pelo menos gmeos. Alm disso, parece estar prestes a dar  luz.
    - De que ms  esta revista? - perguntou Quade olhando por todo o lado. - Ah!  do ms passado. Isso significa que provavelmente j tenha dado  luz ou que estar prestes.
    - Tem razo. - disse Cole. - Quade, olhe para mim, est pensando que foi voc quem a deixou grvida?
    - No tenho certeza, Cole, mas tendo em conta as datas,  possvel, muito possvel - respondeu Quade.
    - O que vai fazer?
    - Em primeiro lugar, tenho que encontr-la - disse Qaude deixando a revista sobre a mesa. - quando o fizer, se o filho for meu, ento pedirei para que se case comigo.
    - E se ela no quiser?
    - Ento, terei que convenc-la. Mas no se preocupe, ns casaremos.
    Quade deu um abrao no primo e dirigiu-se ao seu quarto para fazer a mala. Ento, Cole agarrou novamente a revista e olhou para a contra capa.
    - No sei como se chamas, querida, mas espero que estejas preparada. Quade Westmoreland vai  tua procura. E no se dar por vencido.


FIM
1 Forja  uma fornalha de que se servem os ferreiros e outros artfices para incandescer os metais para serem trabalhados numa bigorna; Do francs, forge e do Latin, fabrica. (...) Neste sistema o ferreiro atua no metal aquecido a fim de gerar uma forma desejada... (Fonte: Wikipdia)
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